Olha ele de novo aí, gente!

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Pois é turminha, olha o tempo fechando novamente na região andina! As relações Colômbia-Venezuela me lembram, em certa medida, briga de irmãos: não te aguento, mas não te largo.

O novo impasse entre eles diz respeito a uma suposta ajuda chavista às FARCs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), com fornecimento de armas à guerrilha. Mas uma coisa me chamou a atenção quando li a notícia no jornal . Se Bogotá avisou Caracas de ter encontrado armamentos venezuelanos com as FRACs em 2008, por que só agora trouxe caso a público? Se o fato era tão grave, por que esperar tanto tempo pela resposta, e só agora, quando houve manifestação dos países da região contra o acordo da Colômbia com os Estados Unidos de aceitar instalar bases militares em seu território é que a “bomba estoura”? Outra coisa curiosa: as armas foram compradas em 1988, e segundo o vice-presidente venezuelano, foram roubadas em 1995. Em nenhum desses períodos Hugo Chávez estava na presidência ou ocupando algum cargo do governo. Por que seria ele o responsável pelo desvio desses armamentos?

É amiguinhos! Isso tudo tem cheiro de teoria da conspiração! Ainda mais quando se sabe que o governo bolivariano acredita firmemente que a Colômbia está sendo usada pelos Estados Unidos para desestabilizar seu país. O Golpe de Estado em Honduras foi um sinal de alerta à iniciativa venezuelana de formar um bloco regional independente.

Na minha modesta opinião, nenhuma dessas suspeitas e respostas para as perguntas acima serão verdadeiramnete respondidas. Isto porque, mais do que nunca, verdades podem ser construidas de maneiras muito convincentes.

Acredito, firmemente, na hipótese dessa crise ter sido gerada para desviar a atenção das nossas futuras vizinhas bases militares. Sinceramente, não sei se a Colômbia suportaria a pressão sul-americana contra a instalação dessas bases.

Por outro lado, não concordo com uma jornalista política que disse que a política externa do Brasil pegou novamente o bonde errado por ter tomado partido da Venezuela nessa controvérsia, e de que a nossa tradição, desde Rio Branco, é tentar apaziguar os ânimos. Alguém tem que avisar para essa moça que os tempos são outros, e embora o Brasil não tenha abandonado a tradição conciliadora de outros tempos, tem um novo papel na região, o de líder reconhecido, que às vezes é criticado sim, mas que teve coragem de chegar aos Estados Unidos e dizer: nós agradeceriamos muito se nos deixassem cuidar de nossos assuntos sem sua interferência.

O Brasil, no seu papel de líder regional, não tomou partido da Venezuela, mas questionou a atitude de um vizinho que optou por outro alinhamento, sistematicamente recusado por muitos países da região. Talvez esteja na hora da Colômbia deixar de ser mirim e sair debaixo da saia da potência do norte. E que bom que o Brasil está tomando conta do nosso quintal!

Quanto a Venezuela…Bom, acho que o Chávez tem um jeito meio … de ser, mas só está tentando se defender e a seu país das acusações colombianas. Nós já vimos, muitas vezes, ele retirar seus embaixadores de países com quem teve alguma rusga, mas depois de um certo tempo, as coisas tendem a se normalizar. Acredito que seja apenas retórica dissuasória.



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A Argentina e seus bodes

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[Certa vez, os funcionários de uma empresa reclamavam das condições de trabalho. Não havia ar condicionado, impressoras pra todos etc. O chefe do setor resolveu colocar 2 bodes no departamento. Foi um auê. Bode cagando pra todo lado, comendo papel, enfim. E eles tinham de cuidar dos animais. Depois de muito mais reclamações, o chefe tirou um bode. O problema diminuiu, mas o cheiro ainda era isuportável. Até que um dia eles chegaram ao trabalho e não tinha mais bode por lá. O que eles fizeram? Foram agradecer o chefe pelo bom ambiente de trabalho sem os animais]

Hoje a Argentina anunciou uma ‘liberação maciça” das licenças de importação para calçados e móveis brasileiros. De quebra, ainda sobretaxou alguns tipos de calçados chineses.

Foi uma alegria só por aqui. O governo desistiu de retaliar os argentinos, disse que entende os vizinhos. O setor calçadista se disse satisfeito com a medida, enfim, tudo certo!

O problema, meus caros, é que o Brasil não ganhou nada com a medida. Pelo contário, ainda se mostrou ‘feliz’ com as medidas protecionistas dos argentinos que tanto afetam nosso comércio bilateral.

É como acontece no Brasil quando tem reajuste salarial dos deputados. Eles querem 10%, mas sabem que não vai dar. O que fazer, então? Pedem 90% de aumento! Aí todo mundo fica doido, é imprensa, blog, Jornal Nacional, enfim. Eles acabam ‘cedendo’ à pressão da sociedade civil e da mídia e aceitam um reajuste de 15%.

No fim das contas, conseguem mais do que querem e ainda todo mundo fica mais ou menos satisfeito. A mídia acha que cumpriu com seu papel, a sociedade acredita que evoluiu e não aceita mais os absurdos do congresso nacional e os políticos estão lá torrando nosso dinheiro pra empregar os namorados das netas.

Foi isso que a Argentina fez. Aumentou a pressão ao empacar os processos de liberação de licenças. Quando aliviou a pressão, todo mundo ficou feliz. O problema, é que o que gerou a controvérsia foi a medida que instituiu as licenças e o protecionismo deles (e não somente a demora na liberação dos documentos). Agora, voltamos a esse mesmo patamar, com a diferença que estão todos satisfeitos.

Enfim. Tiraram os bodes!


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Global?

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Se alguém me falar que haverá um “Diálogo Estratégico e Econômico Global“, eu logo penso que, pelo menos, os 20 países com maior importância no cenário internacional vão participar.

Ledo engano…

Os Estados Unidos promoveram entre ontem e hoje um evento com esse nome. E quem participou? Só os anfitriões e a China, claro! Até porque, segundo o Obama, os EUA e a China vão ‘moldar’ o século XXI.

Essa é a idéia que está por trás do tal do G-2. É como se fosse um bloco estilo G-20, G-8. Mas só com os poderosos EUA e China. Alguns especialistas acreditam que a coordenação entre as duas potências seria suficiente para, de fato, moldar o século XXI. Nem preciso recorrer aos números, já é de senso comum o poderio da China e dos EUA.

O problema é que a probabilidade de cooperação entre os dois é muito pequena. Pra quem gosta da teoria construtivista, dá pra resumir esse debate em torno da percepção que os atores têm de si. Não é possível, no meu ponto de vista, imaginar o baluarte (como diz o Giovanni) da democracia e dos Direitos Humanos com relações ‘carnais’ a ponto de dividir uma agenda que molde um século com um país de partido único, comunista, que não tem imprensa livre, direitos humanos, entre inúmeros outros fatores.

Até pro Obama com o seu discurso de mudança isso é forçar a barra demais. Ainda mais após alguns discursos, como o do Egito, em que ele diz que acredita nos valores democráticos.

E não é só eu que penso isso, com certeza. Nos Estados Unidos o Obama em carne e osso foi receber a delegação chinesa. O presidente da China foi? Nada. Esnobou o Obama e mandou um conselheiro de Estado e o vice primeiro ministro.

Além da democracia e dos direitos humanos, muito mais fatores impedem uma agenda comum. Clima, por exemplo. A China não quer reduzir suas emissões, enquanto os EUA já até lideram as conversas para um novo acordo global no fim do ano (mesmo os dois tendo assinado um memorando não penso que as coisas mudem assim tão facilmente, ainda mais em um contexto de retomada do crescimento chinês).

Geopolítica: a China tem uma influência crescente no mundo e vem aumentando sua presença militar, sobretudo no oceano índico (hoje um dos pontos-chave no mundo em termos geopolíticos) e na África. Os EUA tem influência na Europa e América. Não falo em conflito, mas é difícil imaginar cooperação entre os dois países, pelo menos hoje.

Pra quem gosta do realismo, esse conflito acontecerá no dia em que os custos da guerra forem menores do que os ganhos de uma eventual vitória. Algo que não ocorre hoje. E a China caminha para logo logo estar em pé de igualdade dos EUA em termos de poder. Por outro lado, para os que gostam das teorias liberais, à medida que os laços entre os países aumentar, como está ocorrendo de uma forma ou de outra, a possibilidade de conflito diminui.

Não penso que os Estados Unidos estejam em posição hoje de bater de frente com a China. E nem o contrário. Talvez por isso a aproximação entre os dois. De qualquer modo, não me arrisco a qualquer previsão. O xadrez da política às vezes nos prega peças. Que o diga o Cristovam Buarque!


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Quem muito abaixa…

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Após meses de negociação, Brasil e Paraguai deverão finalmente chegar a um acordo sobre a usina hidrelétrica de Itaipu. E vamos pagar mais!

Por englobar uma região de fronteira entre Brasil e Paraguai ao longo do rio Paraná, ficou acertado em 1973 que cada país teria direito a metade da energia produzida em Itaipú. Entretanto, como o Paraguai não dispunha do capital inicial para a obra (US$ 50 milhões para cada um), o Brasil arcou com todos os custos a título de financiamento. No tratado, acordou-se que, até 2023, o excedente da energia produzida do lado paraguaio (cerca de 45%) seria vendido à Eletrobrás por US$ 32 (sendo que do lado brasileiro, ela custa US$18).

Eis um brilhante instrumento de barganha dos paraguaios! A usina fornece cerca de 20 a 25% do que é consumido pelo Brasil. Após diversas propostas do governo paraguaio para que o excedente energético fosse vendido a outros países, o governo brasileiro aceitou que parte da produção fosse vendida em mercado livre no Brasil. Hoje, além da tarifa (US$ 43,8), o Brasil paga um bônus (US$ 3,17) pela concessão de energia. Esse bônus será triplicado, e o valor pago ao Paraguai vai passar de US$ 120 milhões a US$ 360 milhões por ano.

Essa declaração conjunta entre os presidentes ainda precisa passar por outras instâncias, grupos de trabalho, congresso, e as negociações ainda não cessaram. Mas convenhamos, totalmente desnecessária a revisão do acordo de Itaipú, que só expira em 2023. E o Brasil vai cedendo aqui, cedendo ali… Os negociadores paraguaios já saíram cantando que apenas 20% das propostas foram atendidas, e que todo o avanço foi um bom ‘início’. Virou até questão de soberania! ‘Finalmente el Paraguay recuperará plenamente su soberanía sobre Itaipú’, disse Fernando Lugo. Tem até um arquivo chamado La absurda historia de la deuda espuria de Itaipú na imprensa paraguaia.

Para eles, o Brasil é um déspota que quer se dar bem em cima dos ‘hermanitos’. Ora, onde já se viu? A gente tem uma usina que praticamente subsidia o desenvolvimento da economia brasileira! E isso tudo a preço de banana! É de fato uma questão de honra. No site http://www.abc.com.py/, procurando-se por Itaipú, tem-se mais de 30 ocorrências do dia 25 para cá.

Lugo se elegeu levantando a bandeira de uma renegociação ‘mais justa’ acerca de Itaipu. O Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência para assuntos internacionais, declarou “que não basta a prosperidade do Brasil em um quadro de crise econômica e social em países vizinhos”. Pode-se pensar no real significado dessa concessão para o Brasil. Imaginemos, afinal, como um problema com o vizinho pode nos comprometer futuramente, ao costurar um acordo qualquer, em diferentes foros multilaterais. Mas ainda assim, passa dos limites esse excesso de sorrisinhos do governo brasileiro para com nossos colegas latinos. Para o governo brasileiro, Lugo precisa “entregar o que prometeu”. (coitadinho…) Se dando um dedo já querem o braço, dando um braço…

Para ler mais sobre isso, clique aqui, aqui e aqui.



Categorias: Américas


Podcast

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Clique aqui para baixar!

Finalmente, depois do momento de reflexão, os podcasts estão de volta. E agora com novidades!

Para aprofundar os temas que são diariamente debatidos no blog, nós damos início a uma série de entrevistas com professores especialistas nos assuntos a serem tratados. As duas primeiras foram feitas pelo Giovanni Okado, colaborador aqui do blog.

Para abrir esta série de entrevistas, nós trazemos o Prof. Dr. Samuel Alves Soares da UNESP, especialista em Defesa e Segurança Internacional (clique aqui e veja o currículo do Prof. Samuel), que debaterá a Segurança no século XXI.

Dentro das Relações Internacionais, a Segurança sempre ocupou uma posição privilegiada no arcabouço teórico e prático. Por muito tempo, ela foi tratada como a preocupação central. No século XXI, especialmente após os atentados do 11/09, inúmeras questões passaram a gravitar em torno do tema, sobrelevando a sua relevância de períodos anteriores.

Da teoria à prática; da percepção confusa das ameaças, inimigos sem face, até as perspectivas de conflitos em larga escala; discussão sobre a empreitada norte-coreana e iraniana; e para onde vai a Segurança? São questões que vocês, leitores-ouvintes, encontrarão nesta entrevista.

Confiram. E semana que vem, nova entrevista especial, dessa vez, com a Profa. Dra. Suzeley Kalil Mathias!

Agradecimentos ao Prof. Samuel, à Profa. Suzeley e ao Giovanni pelas excelentes entrevistas!


O teatro de Zelaya:

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O filme é comovente. Já esteve em cartaz. Em 2002, Hugo Chávez sofreu um golpe de Estado (na verdade sofreu o golpe de Estado mais rápido da história). Em questão de dias voltou ao poder, frente a grande manifestação popular em seu favor. Nada indica que o fim de Zelaya será tão feliz quanto o de Chávez, mesmo o contexto sendo semelhante, qual sejam, medidas “esquerdizantes” somadas a crise econômica. Só ficou faltando uma atuação mais indiscreta dos Estados Unidos na atual crise em Honduras, como evidências indicam e Chávez afirma no caso da Venezuela. Veja mais aqui e aqui.

Quem assistiu ao vivo a cena pode perceber o teatro claramente. Zelaya pisou no solo hondurenho, de fato. Mas nem de longe chegou a incomodar o governo provisório. Sua maior esperança é que o fato novo leva a população a insurreição a seu favor. O presidente deposto quer continuar em foco nos debates das relações internacionais, mesmo sabendo ser pouco provável um concerto regional para sua volta.

O máximo que ele deve conseguir, é o desejo boa sorte e a recomendação de cuidado, como no caso do presidente brasileiro Lula. Além da condenação de Hilary Clinton, que considerou a ato de Zelaya como uma provocação. De fato, a atitude do presidente deposto pouco ou nada colabora para a restauração da ordem democrática em Honduras.

Apesar de tudo, o que deve mesmo acontecer é o avanço das tratativas diplomáticas. A comunidade internacional pressionano e exigindo, de um lado, uma saída através do diálogo, e as partes aceitando a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Faz quase um mês que a crise se iniciou e nem o não reconhecimento do governo provisório pela comunidade internacional a levou a um fim. De lição para os próximos presidentes fica que o abuso de poder, com ou sem o apoio popular, e para fins pouco claros, incluindo até mudanças constitucionais, nem sempre funcionarão em seu favor.

Agora é esperar o final do espetáculo. Será que Zelaya tenta voltar novamente? Ou espera uma solução negociada. Vamos ver.



Categorias: Américas, Polêmica


Tango do hermano doido

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Uma farra do boi: foi assim que a 37ª Cúpula do Mercosul terminou. Se o senador Jefferson Perez estivesse vivo (e sobrevivido à crise do senado também), teria dito que foi “o autêntico samba do crioulo doido“. Com a devida licença, digo que foi o Tango do Hermando Doido mesmo.

Em primeiro lugar, adivinhem quais assuntos dominaram a reunião? Gripe suína e Golpe em Honduras. Tudo bem, a gripe está fora de controle e o golpe em Honduras teve seus dias de glória nas manchetes dos jornais. Mas a reunião de um bloco com tantos problemas políticos ficar discutindo isso é, no mínimo, uma maneira elegante de se desmoralizá-lo…

O Paraguai e o Uruguai (este último, inclusive, já fechou um acordo bilateral com os EUA, o que é proibido pelas regras do bloco) estão totalmente insatisfeitos. Não entremos nos méritos das reivindicações por agora, mas o momento de discutir isso não seria a Cúpula? Agora, fechadas as conversas, o Paraguai continuará reclamando e o Uruguai também. Depois que fecham acordos com os outros o povo fica reclamando.

A Argentina tomando todas as medias protecionistas possíveis e imagináveis. Discutir isso? Pra quê se podemos discutir a gripe do porco? Afinal, o Mercosul é um bloco para promoção da saúde, e não do comércio regional!

Aliás, falou-se até em quebras de patente para produção de vacinas! Isso poucos meses após o Mercosul e a União Européia anunciarem intenções de retomar as negociações para um acordo. Vale lembrar que o que emperrou o último, em 2004, entre outros, foram questões de propriedade intelectual e industrial… Se que a presidente Cristina, ao falar do assunto, estava se referindo à vacina que o Brasil está desenvolvendo? Não me espantaria…

Aliás, sobre isso, o empresariado brasileiro já quer que o caso da Argentina e suas medidas protecionistas seja levado à OMC. Essa é a prova maior de que o bloco não serve pra quase nada que não a redução de alíquotas de importação. Explico: o Mercosul tem o seu próprio mecanismo de solução de controvérsias. Mas ninguém acredita muito nele… Será que o fato de a cúpula de Chefes de Estado ficar discutindo tudo menos o que interessa explica algo?

Por fim, pra dar um toque ‘latino’ à reunião: protestos. Índios, empresários, enfim…

E a palhaçada não terminou ainda… Amanhã tem mais!



Categorias: Américas, Organizações Internacionais


Lixeira do Mundo?

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Vocês sabiam que nós importamos lixo doméstico da Inglaterra? Pois é. A que ponto chegamos. Temos uma quadrilha que facilita a entrada de lixo de países desenvolvidos da Europa em nosso país. E a justificativa desses países para realizarem essa exportação é meramente econômica: é mais barato mandar lixo clandestinamente para o Brasil do que investir em reciclagem no próprio país, mesmo que sejam pegos e tenham que repatriar o lixo e pagar multa como aconteceu no início dessa semana.

Cerca de 1.400 toneladas de resíduos doméstico como fraldas, seringas, preservativos, etc. foram apreendidos nos portos de Santos, Rio Grande e na alfândega de Caxias do Sul. Vieram como polímero de etileno usado como isolante termico na produção de plástico.

Fico me perguntando a quanto tempo isso acontece… e será que vem só lixo doméstico? Já não basta os problemas que enfrentamos aqui, com os lixões a céu aberto das grandes cidades e o impacto ambiental que isso causa? É claro que ficar monitorando o grau de desmatamento da Amazonia é mais limpo e mais chique, mas as consequências sanitárias da destinação do lixo são tão sérias quanto o aquecimento global.

Além disso, se nós temos conseguido, mesmo que a duras penas, conscientizar nossa população e criar usinas de reciclagem que garantem emprego para muitas famílias carentes, por que será que eles não conseguem? Se são tão desenvolvidos. Talvez falte mão-de-obra carente para tocar o negócio. Será que eles não querem importar alguns trabalhadores informais brasileiros? Tenho certeza que causariam um impacto ambiental positivo.



Categorias: Brasil, Europa, Meio Ambiente


O quinhão do Plano Colômbia

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Olá, caros leitores! Segue o post do Ivan, que está em viagem e pediu que eu publicasse por ele.

Nossos hermanos acabaram de receber uma proposta: extender o escopo do Plano Colômbia para mais 3 bases adicionais. É óbvio que a oposição e seus vizinhos não gostaram muito da notícia.

O Plano Colômbia consiste em uma cooperaçã estabelecida entre os EUA (exercendo seu “papel de direito” de polícia global) e a Colômbia, para a erradicação do narcotráfico/terrorismo (leia-se: FARC), considerado por ambas as partes como o principal problema da região. Os EUA oferecem treinamentos especiais, verbas, ajuda econômica e equipamentos militares em troca de uma ação mais efetiva do governo Colombiano e presença de militares norte-americanos no país.

Se a Colombia avançou na luta com o narcotráfico, com certeza o Plano Colômbia foi fundamental para isso. Mas depois da Colômbia ter dado a mão, agora os EUA querem o braço… Esse braço é o empréstimo de 3 bases militares para os EUA, visando a continuidade da vigilância área do narcotráfico.

Daí é Presidente falando a favor, Vice falando contra. Tem até ex-Ministro da Defesa que trabalhou com esse Plano dizendo que isso é arriscado. Também afirma que sua candidatura a presidência não tem nada a ver com essa mudança de opinião. Não precisa nem perguntar o que o Chávez acha disso, né?

Mas por mais que o Plano tenha ajudado, e muito, as iniciativas de Defesa da Colômbia, ter esse aumento da presença militar dos EUA na região em época eleitoral e em plena crise Hondurenha, é pedir pra causar instabilidade. Só não dá pra saber se, pra Colômbia, essa instabilidade é um risco aceitável ou o objetivo final…

PS: Por que só agora esse pedido? Porque o Equador simplesmente vetou a presença de qualquer base militar extrangeira em seu território, e a base do Obaminha ficava lá. Qualquer relação com o vídeo que liga o Rafael Correa (Presidente do Equador) com as FARC é mera coincidência.


Categorias: Américas, Estados Unidos


No mundo da Lua

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Vejamos um esboço da dimensão do tempo. Há quarenta anos, completados nesta última madrugada, o homem pisou pela primeira vez na Lua, sem concretizar, no entanto, o “gigantesco salto para a humanidade”. Por outro lado, seis meses foi o tempo necessário para a esperança se igualar à inépcia. De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal “USA Today”, popularidade de Obama se equipara a de Bush, considerando o mesmo período dos mandatos de cada um. (Confiram a notícia) Várias atitudes do atual presidente norte-americano podem sugerir a igualdade numérica de 55% – muitas já foram listadas no blog e até debatidas num podcast -, mas, sem dúvidas algumas ações recentes tem chamado muito à atenção.

Obama anda vagando pelo “mundo da Lua”, no estrito sentido dessa expressão popular, embora tenha reduzido pela metade o orçamento da NASA (de 3 bilhões de dólares para 1,5). Aliás, essa redução tem fomentado discussões.

Ontem, no encontro entre os bravos heróis norte-americanos, os primeiros desbravadores do solo lunar – Neil Armstrong, Edwin Buzz Aldrin e Michael Collins -, e o presidente dos EUA, muitas questões incidiram sobre a negligência do atual governo em relação a projetos espaciais mais audaciosos, como focar a exploração de Marte. Outros países estão procurando ocupar essa brecha; Rússia, China e Índia têm desenvolvido pesquisas nessa área e projetos de viagens tripuladas. Alguns especialistas chegam a sugerir que estamos diante de uma incipiente corrida espacial contemporânea.

Obama entrou para a história como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e, em tempos recentes, pouquíssimas vezes vi tanta repercussão em torno da questão racial durante e após uma eleição. A maneira como o atual presidente tem lidado com ela é bastante curiosa. Por exemplo, no dia 16 de julho, ele fez um discurso “ardente” aos negros do país, no qual conclamou que eles assumissem a responsabilidade por si próprios e, ao mesmo tempo, declarou que a discriminação ainda persiste em solo norte-americano. É impressionante, em seu país, Obama não sente orgulho de ser quem é, enquanto que em sua viagem ao continente africano, ele disse ter sangue da África dentro dele. (Vejam a matéria)

E as políticas econômicas norte-americanas, como andam? Não muito bem. Elas conferem descrédito à popularidade de Obama e são sistematicamente reprovadas como meios eficazes de combater à atual crise. Contudo, melhor do que enfrentar as críticas é promover mudanças. Neste sentido, o presidente tem uma proposta muito arrojada para o sistema de saúde e que é questionada pelos republicanos. Sem dúvidas, saúde é uma questão imprescindível. Mas as críticas dos opositores recaem na pressa com que o governo pretende implantar suas medidas e nos gastos exorbitantes – estima-se a elevação do déficit orçamentário nacional em 239 bilhões de dólares.

Além de todos esses atuais desafios, Guantánamo persiste como uma pedra no sapato de Obama. A comissão nomeada pelo governo dos EUA, responsável por elaborar as diretrizes para o fechamento desse centro de detenção, não cumprirá seus prazos. Não há como fechá-lo até janeiro do ano que vem.

É, Obama, seus pés não andam tocando a Terra. Em todo o mundo, ele é aclamado e é visto como um símbolo de esperança para um futuro melhor. Mas os desafios têm sido inúmeros e “palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem.” Deixo a minha opinião pessoal: não sou pessimista, eu prefiro acreditar no lídere norte-americano, entretanto, todos sabemos que ele lidera uma sociedade altamente conservadora. É muita coincidência um negro assumir o poder pela primeira vez num dos piores momentos – senão o pior – da história dos EUA. A História ensina muitas lições e uma das principais é a aversão ao que não dá certo, ainda mais quando ela é escrita pelos vencidos. E, sendo já bastante audacioso nas minhas considerações, a história norte-americana foi escrita pela aristocracia.



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