Podcast

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Tudo bem, a Coréia do Norte está na moda, eu sei. Mas já foram três posts essa semana sobre eles. Vamos dar um tempinho pros coitados, né?


Este podcast veio direto de Franca. Devido ao sucesso do podcast # 9, em que Ivan Boscariol, Rafael Braz, Luís Felipe Kitamura, Giovanni Okado e eu, Alcir Candido, tratamos do Obamis, fizemos mais um, desta vez sobre o Tribunal Penal Internacional.

A diferença deste é que não houve nenhuma explanação sobre um tema específico, foi um debate mesmo, gravado quando estive em Franca e que estamos publicando agora como podcast!

Infelizmente estamos com problemas mais uma vez com os servidores do podcast, então, ele ficará diponível aqui até arrumarmos tudo!

UPDATE: fim dos problemas com o servidor! Ouça o podcast aqui.

Admirável mundo novo

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Caros leitores, bem-vindos ao admirável mundo novo contemporâneo. Porém, não se iludam. Não estamos falando do best-seller de Aldous Huxley, escrito em 1931. Não falamos de uma sociedade totalitária a nível global, mas nada nos impede de visualizarmos totalitarismos locais. Totalitarismos loucos e sedentos por uma glória absurda. Ordem? Que ordem? Só mesmo como aspiração, como um elemento histórico das relações internacionais não aplicável ao atual contexto. Paz, felicidade e satisfação dos desejos? Apenas enquanto a guerra se convalida como o esporte dos reis, enquanto se comanda a máquina do mundo. Somos todos selvagens.

Ontem, em conversa com o Alcir, eu expressei minha rebeldia: só dá Coréia do Norte na mídia. Já estou cansado de ficar falando de uma múmia caquética comandando espetáculos pirotécnicos. De um ditador despojado do dom de viver que prefere que seu próprio povo feneça enquanto sua vida se esvai. Deixemos registrado: o governo norte-coreano resolveu invalidar o armísticio que tinha com a Coréia do Sul, o qual vigorava desde o término da guerra de 1953. Olha, eu sinceramente nunca vi, em toda a história, uma empreitada militar sem a perspectiva de abastecimento resultar em sucesso. É fato que a Coréia do Norte detém o terceiro maior exército do planeta, assim como é verídico que o país depende de ajuda financeira externa e de energia e alimentos.

Depois ainda dizem que a Coréia do Norte é socialista. Ah, é verdade! O país socializou as loucuras e os anseios de um ditador. Socialismo agora é assim, basta socializar, não importa o quê, e a felicidade é forjada.

Eu, particularmente, estou de acordo com a opinião do governo norte-americano: a chance de um conflito militar é remota. Há a iminência, mas se restar um mínimo de juízo na cabeça mofada de Kim Jong-il, tudo não passará de um incidente diplomático. E é bom o senhor se comportar direitinho, senão a comunidade internacional realmente vai começar a pegar pesado com a China, a maior aliada norte-coreana.

E agora, Pequim? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Pequim? Opa, errei, era José. Peço desculpas ao Drummond, mas não pude resistir à tentação de parafraseá-lo. Até quando a China vai se manter firme no seu pau de sebo? Ou poderá se utilizar deste episódio para contrapor uma maior presença norte-americana na região e, assim, ir se consolidando cada vez mais como uma potência hegemônica? Aliás, uma coisa interessante para se notar é que os testes nucleares da Coréia do Norte tiveram efeitos na política interna chinesa, provocando divergências entre o Partido Comunista e a Chancelaria.

Peguemos um avião e voemos para a América Latina. Já expressei minha rebeldia. Chega! Vocês viram que agora a Venezuela e a Bolívia estão sendo acusadas de fornecerem urânio para o Irã? Daqui a pouco o Chavez também vai resolver seguir o exemplo iraniano, vai enriquecer urânio para dar energia à sua eterna presidência.

E o Brasil que agora tem foco terrorista, dá para acreditar? Se o blog tem um colaborador fantasma, o Brasil tem o “libanês K”. Eu já disse e agora repito: o terrorismo é um ótimo negócio. Nunca vi dar tanta mídia uma tema como esse. Agora vamos ser rotulados como um reduto da Al Qaeda. Como eu gostaria de ver um avião caindo em pleno Congresso Nacional.

É, meus amigos, nós temos visto “coisas estranhas” nestes últimos tempos. Desde trágicas a cômicas, o que faz deste mundo um mundo admirável. Totalitário para uns, feliz para poucos e sem ordem alguma. Cada vez mais escrevemos a obra de Huxley com linhas tortas.

Boa noite, pessoal! Vou tomar o meu soma.


Categorias: Américas, Ásia e Oceania, Brasil, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


Cuidado…

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Post Especial

Prezados leitores, parece que nas próximas horas, finalmente, o colaborador fantasma Rafael Braz deve fazer sua primeira “aparição” aqui no blog!

Não se assustem…


Categorias: Post Especial


E a novela continua…

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[Após o post do Giovanni, talvez seja repetitivo tratar desse assunto novamente, mas a Coréia do Norte está dando o que falar…]

Era uma vez uma linda donzela, trancada a sete chaves no alto de uma torre e protegida por oito bravos dragões demoníacos que a queriam só para si. Não só guardavam a torre, mas utilizavam seus poderes e seus longos tentáculos para manipular todos os moradores do reino a sequer tentar tirar a donzela de lá.

Obrigavam os aldeões a se comprometer, sob pena capital, a não tentar resgatar a mocinha. Faziam pactos, alianças, criavam grandes corporações, enfim… Ninguém tinha acesso à beleza da donzela…

Até que um dia, dois bravos cavaleiros, um vindo do reino da Pérsia, outro do longínquo oriente desafiam o poder dos dragões. Quebram os pactos antes firmados, revoltam-se contra o poder demoníaco, revelam ao mundo a manipulação que estavam todos sofrendo. E eis que, num ato de coragem. bravura, ousadia e altruísmo, resgatam a donzela da torre e mostram a toda a humanidade sua beleza, e que todos vivemos em mundo livre, em que podemos fazer o que bem entendemos sem a conspiração dos oito dragões-demônios…

… Pra bom entendedor, um pingo é letra. Tem gente que tem o seguinte pensamento: “porque não deixar a Coréia do Norte e o Irã ter armas nucleares? Tudo não passa de uma conspiração dos EUA e das outras sete potências nucleares que não querem que os outros tenham acesso a essas armas etc, etc, etc”. Todos já ouvimos essa história em algum lugar…

A questão é muito mais complexa, no entanto. É simples entender porque o Irã ou a Coréia do Norte não podem ter acesso a armas nucleares: são regimes instáveis, movidos por ideologias muitas vezes racistas e questionáveis, localizados em regiões extremamente complexas do ponto de vista da segurança internacional, entre inúmeros outros fatores.

Imaginem deixar armas nucleares na mão de um cara que já disse uma vez que quer riscar um país do mapa? Ou então, ao alcance de um que está há 50 anos em guerra, mantém o 3° maior exército do mundo e se opõe a qualquer diálogo que leve à paz?

As armas nucleares existem nas mãos desses oito países ainda por resquícios da guerra-fria. E é óbvio que não querem se desfazer delas tampouco que outros as tenham. Mas quanto à Coréia do Norte ou ao Irã, o buraco é mais embaixo. O Irã, por exemplo, tem ligações claras com o grupo terrorista Hezbollah, inclusive financiando-o. E se uma bomba dessas chega a esse grupo?

E no caso da Coréia do Norte? Se eles resolvem lançar uma bomba no Japão ou na Coréia do Sul? Imaginem os impactos em uma região com quatro potências nucleares e repleta de bases militares de outros países?

Portanto, não adianta querer ver esses dois como heróis. Eles não o são. Aliás, estão longe de sê-lo. Ou um país pobre como a Coréia do Norte, que ainda assim gasta 40% do seu PIB com armas poderia ser bom pra alguém se não o é pro seu próprio povo?

Vejam o caso do Paquistão ou da Índia. Em guerra, instáveis. O Paquistão, aliás, está até perdendo seu território pra grupos terroristas. O fato de terem armas nucleares só coloca mais pólvora naquele barril. Isso é bom?

Não vamos endeusar as outras potências nucleares, mas se eu pudesse escolher, ficaria na frente do Obama, do Clinton ou até mesmo do Bush do que do Kim Jong Il ou Ahmadinejad com uma bomba na mão…


Categorias: Ásia e Oceania


Festa Junina Mundial

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Excepcionalmente neste ano a festa junina acontece no mês de maio. Os países resolveram antecipar as festividades de junho. O Irã e a Coréia do Norte já começaram a soltar as bombas. Os Estados Unidos e a União Européia trazem os doces e penduram as bandeiras, enquanto a China tenta se manter firme no pau de sebo. A fogueira está acesa e a quadrilha se embaralhou no seu próprio caracol. O mundo está confuso. Fala-se de segurança desconhecendo-se o que deve ser assegurado, fala-se de inimigos sem identificá-los. Só com muito quentão e vinho quente para entender esta realidade ininteligível…


Antes de lerem este post, que tal escutarem a entrevista do jornalista Roberto Godoy à TV Estadão? Vejam aqui. E querem saber qual o arsenal atômico da Coréia do Norte? Cliquem aqui.

Certamente, já é do conhecimento de todos: a saga norte-coreana continua. Na madrugada de ontem para hoje, a Coréia do Norte realizou um novo teste nuclear subterrâneo, porém, desta vez, o poderio do armamento foi superior àquele testado em 2006, quando provocou um tremor de 3,58 graus na escala Richter. Este último alcançou 4,7 graus. Mas agora o país não está sozinho (se é que chegou a estar), o Irã também lançou um míssil (o Sejil 2) com alcance de 2.000 km e capaz de atingir tanto Israel como as bases militares dos EUA no Golfo Pérsico.

Tão impressionante quanto ter líderes atípicos, os dois países também se aproximam na retórica e na divulgação dos fatos. A Coréia do Norte quer se defender e a necessidade da defesa é sustentada por seus cientistas e técnicos. Entretanto, quem a ameaça? Por sua vez, o Irã continua enriquecendo urânio para a consecução de fins energéticos. Só se for para gerar energia à tentativa de reeleição de Ahmadinejad. A outra coincidência: a difusão do evento como um grande sucesso por suas respectivas agências oficiais de notícias – imaginem os meios de comunicação nesses países tão democráticos.

A Coréia do Norte cumpriu a promessa de que realizaria um segundo teste caso a comunidade internacional não parasse de pressioná-la com sanções contra o seu programa nuclear. Mas por que o país faz tanta birra? Uma alternativa eu já elimino: não é para alimentar à sua população. Desde 1995, o povo sofre por causa da fome extrema – decorrente de inundações, maremotos, secas, etc. – e, segundo o Programa Mundial de Alimentos, 40% dos cidadãos norte-coreanos precisarão de ajudar alimentar com urgência nos próximos meses. Pelo que sei, ninguém se alimenta de plutônio. O que comumente se diz é que a empreitada norte-coreana visa ao aumento do seu poder de barganha no cenário mundial. E se alguém, no meio da rua, repentinamente dispara um tiro para o alto e pede para todos ao seu redor passar todo o dinheiro que tiverem, o que seria isso?

O Irã também tem as suas piadas. Há uma semana, Ahmadinejad declarou que “no futuro próximo, nós (o Irã) lançaremos foguetes ainda maiores e com alcance maior” e hoje afirmou que se opõe “à produção e proliferação de armas de destruição em massa”, negando também qualquer cooperação nuclear com o governo norte-coreano. É absolutamente incrível como as políticas mudam em pouco tempo. O país que não se cuide, mas não há comunidade internacional que impeça uma eventual represália do exército israelense.

Por falar na comunidade internacional, o que é que ela tem feito? Muito simples: esbravejar e se reunir. Cadê a ação? Logo pela manhã de hoje, Obama disse “Os EUA e a comunidade internacional devem atuar diante do ensaio nuclear da Coréia do Norte” e classificou o teste como uma grave violação do direito internacional. A Coréia do Sul colocou as suas Forças Armadas em alerta máxima. O Grupo dos Seis (EUA, China, Japão, Rússia e as Coréias) voltou a ser invocado para dissuadir o programa nuclear norte-coreano. Aliás, até a China decidiu agir e, ineditamente, repreendeu a atitude da Coréia do Norte, só que é contra a adoção de sanções severas para o país. O governo chinês nem escorrega e nem alcança o topo do pau de sebo.

Evidentemente, vocês poderão se perguntar se isso é agir. Eu confesso que também tenho minhas dúvidas quanto ao que se considera ação. Todas as ações previamente tomadas só levaram a esta situação. Por enquanto, quem solta bombas não come doces e nem pendura bandeiras.

O cenário internacional vive um momento bastante conturbado e está dividido entre a perspectiva de um ciclo vicioso e a iminência de um conflito – difícil dizer em que proporções. Todos se sentem ameaçados e inseguros ao mesmo tempo em que produzem ameaças e insegurança.

Viva São João! Quem sabe mudaremos nossos rumos para encontrar a luz…


Categorias: Ásia e Oceania, Oriente Médio e Mundo Islâmico


Podcast

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Vocês acharam que a gente ia esquecer dele???

Ouça aqui (ou baixe nos links ali do lado) os comentários sobre a visita do nosso presidente Lula à Arábia Saudita, China e Turquia.

Saldo positivo?
Mais gafes do Lulinha?

Tire suas conclusões no 10° (agora, sim!) podcast da Página Internacional!


Três é o novo dois

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Depois da malandragem imperial empregada pelo Huguinho, temos mais dois candidatos à eternidade presidencial!

Primeiro, um candidato com grandes possibilidades: Álvaro Uribe!

“Dois não, agora quero três!”

Homem de família, que teve um número bem considerável de denúncias de corrupção e ligação com milícias para-militares, tanto de esquerda quanto de direita. Se no Brasil o deputado pode até ser genocida que não é cassado, lá já foram mais de 30% dos senadores afastados ou cassados por causa dessas denúncias. A questão é tão grave que ele até mandou espionar diversas pessoas ligadas a ele. (comentários aqui) Com uma grande aceitação popular graças a suas ações empregadas contra as FARC, se ele fosse candidato ele seria o mais votado com grande vantagem. Tanto que já está bem encaminhada a mudança constitucional que irá possibilitar o segundo mandato (o congresso ser uribista é pura coincidência). Detalhe: se não der certo, o Ministro da Defesa, Juan Manuel Santos (que apoia Uribe) já está saindo do cargo para poder ser candidato à presidência, com grandes chances de vitória. Dessa forma, a continuidade da política Uribista está mais do que garantida.

Mais uma vez eu pergunto: qual é a diferença dele para o Chávez? Tudo bem que o Uribe tem uma aceitação popular tremenda, mas os indices sociais não aumentaram tanto quanto poderiam, e não restam dúvidas de que ele é querido por ser considerado o “guerreiro que derrotará as FARC”. Mas daí para querer governar um terceiro, quem sabe quarto, quinto mandato já é demais. Se o Ministro da Defesa não pode dar conta das políticas (já que se pudesse nem se conversaria sobre um terceiro mandato de Uribe), isso pode significar duas coisas:

1- A Colômbia tem um governo débil o bastante que não suportaria uma transição ou que é dependente de um perfil bem específico, algo péssimo para a continuidade do país. A curto prazo pode até não ser tão problemático, mas a longo prazo pode danificar seriamente a estrutura política Colombiana

2- O Uribe quer concorrer com o Chávez e Putin o prêmio de governo mais longo do século XXI. Ou o de o governo com maior manipulação da imprensa (não sei qual páreo é mais duro).

O segundo candidato é o nosso Lulinha, que fala Dilma pra cá, Dilma pra lá, mas não faz taaanta oposição quando alguém fala em terceiro mandato. Mas como aqui é a página INTERNACIONAL, vou deixar pra lá. Mas é importante lembrar que o Lula não tá sozinho.

Lembrando que ninguém tenta propor extender seu mandato sem ter certeza de um sucesso nas eleições. Afinal “se o povo quer eu estou aí!”

E vocês, o que acham da idéia de um terceiro mandato? Acham que não deve houver de maneira alguma ou o povo deve decidir?


Categorias: Américas, Brasil


Por que os homens lutam?

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[Pessoal, desculpem-me pela extensão. Acho que me empolguei demais.]

Outra vez recorro a John Keegan para trazer uma das questões mais intrínsecas ao gênio humano. Em tempos recente, a questão se sobressai no conflito Israel-Palestina. Por que lutam palestinos e israelenses? Será que os hebreus finalmente chegaram à Canaã, conquistaram a terra prometida? Será que a jihad ainda não acabou? Na terra santa, os homens profanam o sagrado, fazem os deuses e a guerra e, ainda assim, anseiam pela paz.

À parte de toda essa abstração, concentremo-nos num fato significativo: a comunidade internacional tem procurado intervir no infindável conflito entre judeus e palestinos. Mais especificamente, nesta segunda-feira, na Casa Branca, Barack Obama se reuniu com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, para discutir um possível acordo de paz que seja capaz de encerrar mais de 60 anos de luta.

Neste mesmo dia, a revista Time, elencou seis assuntos que dividiam Obama e Netanyahu. São eles: 1) a idéia de criação de um Estado Palestino independente; 2) a intervenção no conflito Israel-Palestina mascara a prioridade de se negociar com o Irã; 3) o prazo para a implementação de medidas; 4) o fim dos assentamentos judaicos em território palestino; 5) a fim do bloqueio a Gaza; e 6) a negociação com o Irã sobre seu programa nuclear.


Façamos um comentário geral sobre os pontos de divergência. Os Estados Unidos e a União Européia têm pressionado Israel para a criação de um Estado Palestino, contudo, o país tem se negado a acatar essa pressão. Recordo-me de um artigo publicado no Le Monde Diplomatique Brasil em fevereiro de 2009, intitulado “Sobre Gaza, sobre Israel, sobre nós”, no qual se argumenta que o direito dos Estados está acima do direito dos povos. Do lado de Israel, a condição de Estado lhe assegura o monopólio legítimo do uso da violência, do lado da Palestina, a ausência do Estado confere-lhe o monopólio legítimo do uso da algazarra. Toda ação promovida pelos palestinos é sinônimo de ato terrorista. Para Israel, é preferível mantê-los no estado de natureza hobbesiano a conceder-lhes uma entidade política organizada. Nos dizeres do Ministro de Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman: “Israel tem compromisso com a paz, não com Estado Palestino.” Para uns, a lei; para outros, o esquecimento.

Cada vez mais vem se cumprindo a profecia de David Ben-Gurion, primeiro chefe de governo de Israel, “Depois da formação de um grande exército, na esteira do estabelecimento de nosso Estado, nós aboliremos a partilha e expandiremos nosso Estado por toda a Palestina.” Os assentamentos continuam avançando sobre o território palestino, deixando ainda mais longe a perspectiva de uma Palestina genuína. E depois Netanyahu diz que não quer governar os palestinos, mas apenas viver em paz com eles. É claro, com eles descansando em paz.

Aliás, a recusa de reconhecer um Estado ou outro é muito comum na conduta diplomática de Israel. O país também não reconhece o Irã como Estado. A reação é óbvia, ainda mais quando se tem um Mahmoud Ahmadinejad no poder: riscar Israel do mapa. Sorte que o Irã não é apenas um povo e que a “bondade” norte-americana interveio, senão o exército mais ético do mundo, segundo o ex-premiê Ehud Olmert, não hesitaria em cometer sua sutileza rotineira. (Hoje mesmo li que militares israelenses declararam que a violência contra palestinos “dá resultados”.)

Não me admira todo o rancor que Israel desperta no mundo árabe. Espalhou-se por todo o Oriente Médio uma rede de mentiras. Se Israel disse que os ataques preventivos realizados entre o final de 2008 e o começo de 2009 foram para eliminar membros do Hamas, por que o Irã não pode dizer que o desenvolvimento de tecnologia nuclear visa a fins energéticos? Não entendo por que o governo israelense solicita tanta urgência na adoção de medidas severas quanto ao Irã ao mesmo tempo em que questiona o por quê da pressa para o estabelecimento de um Estado Palestino.

Por sua vez, os Estados Unidos optam pela manutenção das negociações com o Irã. No entanto, Obama afirma que não se pode manter um diálogo infinito e espera uma resposta de Ahmadinejad em favor da cessação de seu programa nuclear até o final de 2009. Terá o governo norte-americano agido com sensatez? E com relação à causa palestina? Ou será uma manobra do novo populismo de Getúlio Obama (nas palavras do Ivan)?

Alguns dados publicados pelo Le Monde neste fim de semana para a nossa reflexão: 80% dos eleitores de Obama defendem que é tempo de exercer pressão sobre Israel, 50% acreditam que é hora de enfraquecer Israel e 67% são favoráveis a um diálogo com o Hamas, sem contar que 68% dos democratas afirmam que as relações com o mundo árabe são tão importantes para os Estados Unidos quanto à relação com Israel. Reconheço que o messiânico Obama representa a esperança para palestinos e para o mundo, mas é difícil deixar de reconhecer que existem interesses por trás de suas ações. Mas prefiro ser menos cético, ao menos, desta vez.

Sem dúvida, a presença dos Estados Unidos é fundamental para a resolução desse drama. Os apelos da comunidade internacional também são significativos. Só que nada faz sentido se não produzir respostas. Até quando os palestinos se nutrirão de pedras e esperanças, enquanto os israelenses se alimentam de sangue e medo?

Por que os homens lutam? Apenas porque lutam. E lutam com armas, palavras e sonhos em todos os campos de batalha possíveis e imagináveis.


Categorias: Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


Podcast

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Pessoal, com um pouco de atraso chega ao ar a 9ª edição do podcast da Página Internacional (no podcast eu falei que era a 10ª fail…)!

Conforme prometido, esta edição foi especialíssima. Estive em Franca e reuni, pela primeira vez (quase) todos os colaboradores do blog para um podcast sobre o Obama e suas políticas.

Ivan Boscariol, Giovanni Okado, Luís Felipe Kitamura, Rafael Teixeira Braz e eu, Alcir Candido, falando sobre a pergunta que não quer calar: Será que o Obama está mesmo cumprindo sua promessa de mudança?

OUÇA AQUI!

PS.: Pela importância da edição (até o colaborador-fantasma – nunca postou – Rafael Braz esteve presente), o podcast ficou um pouco mais longo que o normal, mas nada que desanime!

Links citados no podcast: Descrição das técnicas de interrogatório da CIA e Obama debochando dos deficientes.

PS2: Atenção Álvaro (4º ano RI Franca) tem ‘mensagem pra vc no podcast!

É… sashimi de porco agora não dá…*

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Não, eu não estou na foto.

Em 2 dias, um crescimento de quase 1700% no número de casos alarmou o Japão e, em especial, a região de Kinki, na qual estão Kobe e Osaka e, feliz ou infelizmente, a província onde estou. 1700%!? Oh, nossa querida correspondente internacional deve estar em perigo! =p

Até agora são “somente” 139 os infectados pela nova influenza (é o modo como os japoneses se referem à doença aqui) no Japão. O termo gripe ou influenza suína foi utillizada no início, mas caiu em desuso por razões óbvias… Nosso querido provedor de bacon saiu de cena já faz algum tempo e aqui não se fala mais nele.

Bom, para que tenham idéia da escala progressiva da doença aqui, estou falando às 21h50, horário local do dia 18 de maio. Só neste fim de semana, 128 novos casos foram confirmados. É engraçado pensar que o crescimento relativo desse surto, no Japão, representa menos de 3% dos infectados nos EUA até o presente momento… E é trágico pensar que o caso que surgiu em Kobe – o primeiro caso de alguém que não teve contato com o exterior – representa um grande furo em todos os esquemas estabelecidos pelo governo até agora para prevenir o avanço da doença.

Minha teoria é de que tenha ocorrido contato com alguém que veio do exterior, ou seja, que passou despercebido pelos esquemas dos aeroportos. E pensar que em todas as partes do mundo houve um certo gap inicial em tais esquemas… Acredito que não tardará muito até que surjam surtos repentinos em progressão geométrica no mundo inteiro. Ou não, neah? Já que só acha quem procura sarna para se coçar… E o japonês em geral surta com qualquer ameaça.

É engraçado ver que não há nenhum caso na África… Afinal de contas, quem se importa, não é mesmo? Eles não podem comprar Tamiflu e Relenza! (…)

Até agora eu não estava tão preocupada com a tal influenza. Temos Tamifuru (como dizem os japoneses), sara rapidinho, desde que diagnosticado no início, eu não tenho nenhuma doença crônica e nem estou grávida… Portanto não há agravantes…

Entretanto, de sábado para cá, enquanto traduzia a mensagem do governador, me peguei pensando: se o vírus da influenza é tão mutável, quem garante que em breve o tamiflu ainda funcionará? E o mesmo remédio utilizado para a gripe aviária ainda serve aos propósitos da gripe suína? Interessante… Afinal é tudo a mesma coisa, não é mesmo?! Frango, porco… tudo o que tem na fazenda… Quando surgir a gripe do peixe, deve funcionar também, neah?! Acho que vou fazer uns estoques…

Bom, como eu tô em contato direto com a doença, digo, com informações sobre a doença, aproveito o espaço para divulgar como os japoneses estão se preparando (em português, é claro). Então, caso a situação piore por aí também… É a Página Internacional informando e salvando vidas! Hahaha

Que Nara continue entre mim e a gripe, Amém!

Estou há uma província de distância do surto em Osaka (eu estou em Mie) e não duvido nada de que em breve estarei indo ao trabalho de máscara (aliás, preciso comprar uma caixinha básica… espero que ainda não tenha esgotado)…

Wish me luck, people! ^^

P.S.: É incrível estar em um ambiente de paranóia… Imagino que vocês aí no Brasil estão tranquilíssimos, não?!

*Detalhe, não sei se existe sashimi de porco realmente… =p


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