(ainda) Mais deputados…

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Mas Gripe – A (novo nome da gripe suína…) à parte, um movimento importante tem acontecido e está desapercebido: as eleições diretas pro parlamento do Mercosul.

Isso mesmo, caríssimos eleitores. Nas eleições de 2010, todos teremos de eleger, além de toda a corja que normalmente somos obrigados a votar em, mais alguns “representantes” pro Mercado Comum do Sul. O Paraguai, inclusive, já elegeu os seus no ano passado.

Na verdade, o Parlasul já existe há um tempinho. Só que, até então, os 18 representantes de cada país (figuram entre os brasileiros o Mercadante, o Cristovam Buarque, etc…) eram indicados pelos Estados parte. Agora, teremos de elegê-los.

Como não sou especialista no tema, não posso me aprofundar muito, mas até então, as funções do parlamento eram consultivas. Ou seja, nada que os países teriam de fazer. Pelo que estou vendo, a proposta é que se torne um fórum como o da União Européia. Da mesma forma como funcionam os parlamentos para os países, ele funcionaria para o bloco, tendo uma função mais deliberativa e menos consultiva.

Considerações técnicas a parte, vamos ao que interessa: a análise. O Mercosul, apesar de todos os problemas políticos, tem dado certo do ponto de vista comercial. As trocas comerciais entre os países aumentaram muito desde seu início, principalmente entre Brasil e Argentina (mesmo com as medidas protecionistas todas).

Acontece que o problema é justamente esse: não dá certo politicamente. E a idéia é que o bloco se amplie para algo parecido com o que é a União Européia, que também ainda não conseguiu se unificar politicamente.

Se o bloco regional mais avançado que existe no mundo não consegue resolver suas diferenças, será que o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai conseguirão (e vai ter a Venezuela agora pra complicar mais)? Diferenças culturais, econômicas, sociais e todas quantas se possa imaginar.

Eu acho muito difícil. Mas, de repente, o parlamente ajude um pouco. Ainda mais um que já existe. Um parlamento eleito pela população é mais legítimo do que um indicado, ainda que corra o risco de cair na politicagem.

Agora, tem outra pergunta que não quer calar: como é que os brasileiros, que já estão querendo usar as cotas de passagens do congresso pra mandar todos os parlamentares pro México, vão ver isso, hein? Esperemos até o início das eleições.

Alguém se candidata?

PS.: Em tempo, devo ainda destacar que pode ser que nem saia do papel essa eleição…


Categorias: Américas, Brasil, Política e Política Externa


100 dias de Obama

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Pois é, hoje (29/04) o Obama completou 100 dias no poder. E como não podia deixar de ser, polêmicas já estão no ar…

Hoje no Valor Econômico saíram duas colunas, de autorias diferentes. A primeira, que pelo estilo era um editorial, tinha o título: “Obama impôs sua marca em 100 dias de governo”. A segunda, de Marc Champion e Peter Fritsch (que foi traduzida do The Wall Street Jounal), trazia o nome: “Em 100 dias, política externa de Obama falta dizer a que veio”. Ou seja, duas visões opostas sobre o mesmo tema.

Achei tão interessante usarem os mesmos fatos para sustentar argumentos tão distintos, que resolvi compartilhar com todos. Como são colunas grandes, separei alguns temas:

Pra começar, ambos falam das viagens de Obama, principalmente para a Europa. Enquanto um elogia o fato de o novo presidente ter uma boa aceitação entre os europeus (foi aplaudido de pé por lá algumas vezes), o outro ressalta a reação que tiveram os governos, que agora teriam “mais exigências dos EUA a contestar” do que no governo Bush. ” Em apenas uma semana, rejeitaram pedidos para que gastem mais dinheiro para estimular suas economias, mandem mais tropas para o Afeganistão e aceitem a Turquia como membro da União Européia. Um memorando do governo francês que vazou recentemente também se referia com sarcasmo às ambiciosas propostas de Obama de eliminar as armas nucleares”.

O editorial destaca o fato de que em pouco tempo Obama conseguiu imprimir uma nova marca, conversas com Irã e Venezuela, por exemplo, a ponto de fazer até o Chávez dar a ele um livro.

A outra coluna ressalta que, embora tenha havido muita conversa, nada de concreto foi feito, nenhuma medida que realmente mudasse alguma coisa. Também é fato. Ressalta a possível ingenuidade do novo governo frente a desafios externos importantes, como Rússia, Irã, China e Coréia do Norte.

Embora concordem com o bom começo com relação às políticas para a Ásia Central – principalmente quando da mudança de foco do Iraque para o Afeganistão -, a coluna do Wall Street Journal diz que não há muito, mesmo que com a boa vontade, que os EUA possam fazer por lá. Além disso, as possíveis alianças, vistas como boas pelo editorial, com o Irã, China e Rússia para o Afeganistão, seriam muito difíceis de se manobrar.

Opinião pessoal: o Obama não é a mudança em si. Ele é, antes de tudo, um símbolo de mudança. E em torno de sua figura, tem-se visto que algumas coisas estão ficando diferentes, sim. Isso não se nega. Só pra ficar num exemplo, as políticas para o clima. Pela primeira vez, os EUA têm se mostrado engajados nesses temas.

Mas nem tudo foi certo. Vejam este post do Ivan, por exemplo…

Minha conclusão: nenhum dos dois artigos estão errados. Ambos mostram como as atitudes do Obama tiveram um lado positivo e também negativo.

Conclusão 2: foram só 100 dias de governo ainda, dexa o home trabalhá…


Categorias: Estados Unidos


Imperialismo tupiniquim

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Pessoal,a gripe do porco realmente (e literalmente também) tá pegando mesmo. No últimos anos, essa é a primeira vez que, pelo que estou vendo, entendo que há uma ameaça real de uma pandemia. Mas disso os jornais já estão cheios e, como nossos leitores sabem, nós somos mais arrojados por aqui!

Antes de começar o post, já falamos aqui dos casos do ex-bispo/presidente do Paraguai, o Lugo. Acontece que ele virou piada, em todos os sentidos, lá entre nossos amigos paraguaios. Já saíram camisetas (Eu não sou filho do Lugo, Eu sou filho do Lugo, e daí?), um tal de Lugômetro (que mede a quantidade de filhos do ex-padre), músicas, piadas (uma diz que perguntaram pra ele porque ele não usou camisinha, a resposta foi que ele seguiu os preceitos da Igreja…) e tudo o quanto se pode imaginar pra sacanear o presidente. Vejam aqui um post do Ariel Palacios, do Estadão, sobre isso e caiam na gargalhada!

Mas falando (ou escrevendo) sério agora. O Rafael Correa foi reeleito no Equador. Até aí, já era mais do que esperado. Acontece que ele deu uma declaração hoje que me chamou a atenção:

“Não há dúvidas (sobre a liderança do Brasil na América Latina). Ninguém pode duvidar da importância do Brasil. É uma das 10 economias maiores do mundo e, por isso, adota essa liderança”

Por favor, né, pessoal? Dizer que ele pensa isso do Brasil é o mesmo que acreditar que o povo não quer usar a cota de passagens da câmara pra mandar todos os políticos pra umas férias no México (de preferência numa granja de porcos)…

Infelizmente, a impressão que se tem do Brasil na América Latina, principalmente entre nossos vizinhos, é a de que somos um país imperialista, do mesmo modo que nós criticamos os Estados Unidos. E isso não é de hoje.

De fato, embora nunca tenha se metido em outra grande guerra desde a do Paraguai, o Brasil passou por cima de muitos territórios dos vizinhos (mesmo que por meios de acordos e tratados do tempo do Rio Branco), se aliou muito mais com os EUA e Europa do que com eles e, isso é inegável, sempre tentou exercer sobre a região uma certa hegemonia. Além disso, nossa língua é diferente, o que dificulta qualquer contato. Não nos identificamos culturalmente com nossos vizinhos (os brasileiros se sentem mais próximos de Portugal ou da Itália, que estão do outro lado do Atlântico, do que com o Paraguai que está aqui do lado).

E isso tem aumentado, e muito, durante o governo Lula. Houve uma mudança de foco em nossa política externa. Até o FHC, éramos voltados para os grandes mercados do norte. Agora, há uma tentativa de ser fazer uma política sul-sul, com o Brasil (supostamente) liderando esse movimento. O Lula já viajou incontáveis vezes pra África e pro Mercosul, por exemplo.

E por trás disso, amigos, não sejamos ingênuos, há interesses por parte do Brasil, entre eles, o de se consolidar (ou até mesmo de tornar-se) como o líder da região e assim firmar-se como potência regional. E para isso o governo tem feito investimentos, principalmente aqui na América do Sul por meio do BNDS ou incentivando empresas brasileiras a se aventurarem por lá. Tem até se engajado em missões de paz da ONU, como no caso em que se comprometeu a liderar a missão no Haiti.

E é claro que os nossos vizinhos não são bestas. Já perceberam isso. E não aceitam o Brasil liderando nem marchinha de carnaval por aqui. Aliás, as medidas protecionistas da Argentina, os calotes que o Equador vem dando, as palhaçadas do Evo Morales, os rolos da Petrobrás no Peru por conta de licenças ambientais… enfim, inúmeros são os casos em que se deixa claro que eles não respeitam e não aceitam a posição que o Brasil QUER ter.

E isso também se tem visto quando o Brasil, por exemplo, quer assumir um papel de liderança em alguma organização internacional: os que sempre votam contra são os daqui. Aliás, desde o início deste governo, quando esse movimento começou, não conseguimos uma única vitória de peso sequer em qualquer organismo internacional…

Dessa vez tenho de concordar que esse movimento de aproximação do governo não foi de todo errado, mas ficou muito claro o interesse ‘oculto’ do Brasil nisso tudo. E disso, fala sério, ninguém gosta…


Categorias: Américas, Brasil, Política e Política Externa


Novidade!

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Pessoal, hoje não farei nenhum post por aqui. Motivo?

Acontece que agora estou escrevendo uma coluna para o “Portal dos Blogs”. Ela será publicada todos os fins de semana e os leitores da Página Internacional estão muito mais do que convidados a lê-la.

É claro que este blog querido do meu coração não deixará de ser prioridade pra mim, mas hoje gostaria de que os leitores daqui dessem uma olhada nos dois posts que já coloquei na coluna.

O segundo deles, inclusive, trata de um tema muito importante: gripe do porco. Então, pra não fazer dois posts repetitivos, resolvi colocar hoje o link de lá.

Acesse aqui.

Até mais!


Categorias: Post Especial


"President Obama, you are wrong" ou "Queria argumentar igual Keith Olbermann"

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Queria saber argumentar igual Keith Olbermann. Essa semana vi um comentário especial na MSNBC (que é considerada a mais “revoltada” das redes de notícia dos EUA). Alguns dos colunistas do nosso jornalismo deveriam aprender com esse vídeo como se critica um presidente.

Ele passa cinco minutos comentando a decisão hipócrita a respeito de tortura posta em ação por Juscelino Obama essa semana. Basicamente, Obama divulgou diversos documentos relativos a tortura que não apenas expõe alguns segredos de segurança internacional, como mostra diversas atrocidades cometidas durante a gestão Bush-filho. Já mostrei minha posição sobre tortura aqui, e já sabem que acho que em alguns momentos ela é importante e inevitável.

O que importa aqui é que Obama decidiu não processar os responsáveis por esses excessos (que foram muitos e imperdoáveis). Nesse momento é que o argumento de Olberman brilha, mostrando que um presidente não deve ter medo e nunca deve deixar passar o momento.

E principalmente, nunca se deve superar o passado, mas sim combater e corrigir todos os erros lá ocorridos, para que não crescam e nos tormentem com mais força.

É um recado que todos os líderes mundiais deveriam ouvir.

O vídeo está em inglês, ainda não existe nenhuma versão

legendada ou transcrição disponível.



Categorias: Estados Unidos, Política e Política Externa


Podcast

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E eis que, firme e forte, ele chega à sua sexta edição! Desta vez, comentários de como os BRIC tem se virado pra evitar que a crise mundial chegue ainda mais forte.

Ouça aqui ou pelos links ali do lado.

Obviamente, espero comentários de todos. E usem também as estrelinhas aqui embaixo!

Informações

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Pessoal, informo com muito prazer que recebemos de um amigo, o Lison Costa, que escreve direto de Manaus o blog Nhamundá o selo “Este blog é genial”.


Muito obrigado, Lison!

E não se esqueçam de que temos podcast pra hoje mais tarde!


Categorias: Post Especial


Nosso querido presidente

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Como nunca falei do Lula, umas palavrinhas sobre ele. E como quase tudo que escrevo é pra criticar, vou elogiar também.

Quando foi eleito, uma coisa tinha certeza “Internacionalmente ele será um lixo.” E essa idéia foi se mantendo com o tempo, principalmente graças a suas numerosas viagens luxuosas sem resultado ou acordos firmados. Sem contar que o Itamaraty continuou sem lidar com economia/comércio exterior de forma efetiva, “ainda” não conseguimos a cadeira permanente no conselho e de quebra não somos reconhecidos unanimamente como o “líder da América Latina”.

Mas pagamos a dívida com o FMI e o Itamaraty, sob a liderança do “esquerdinha da diplomacia” Celso Amorim ganhamos bastante espaço no plano internacional.

Agora hoje dá pra dizer – duvido que sem o Lula estaríamos tão bem cotados internacionalmente. 

Vamos ser sinceros, que ele é muito carismático, isso não está nem em discussão. O cidadão veio do operariado,  participou de lutas sindicais e virou o presidente mais bem avaliado da história do Brasil (ou algo assim), sem contar que toda reunião ele conta uma piada ou faz um comentário bem-humorado. Isso junto com ele ser o presidente da nação mais importante da América Latina (desculpa México, Argentina e Venezuela) faz todos o ouvirem. 

O cara foi capa da Newsweek, especial da CNN e assim vai, quase sempre bem-falado. Alguém sem capacidade alguma não conseguiria tal feito. Duvido que o Serra, bonito e simpático como só ele, chegaria a esse ponto. Eu nunca achei que diria isso, mas no internacional, hoje vejo que nenhum dos candidatos derrotados por Lula seriam tão bem sucedidos. E dos prováveis candidatos, só o Aécio tem um carisma que poderia chegar perto, afinal convenhamos, a Dilma é tão carismática quanto aquelas diretoras malvadas de escola primária.

Então o governo Lula é incrível? Nem perto disso. Apenas quero dizer que a presença do nosso presidente deve ser reconhecida. Agora de resto, não precisa nem comentar…

PS: Peço desculpas a todas as diretoras de escolas primárias, mas vocês sabem que suas companheiras de profissão não são das mais amigáveis.


Categorias: Brasil