100 dias de Obama

Por

Pois é, hoje (29/04) o Obama completou 100 dias no poder. E como não podia deixar de ser, polêmicas já estão no ar…

Hoje no Valor Econômico saíram duas colunas, de autorias diferentes. A primeira, que pelo estilo era um editorial, tinha o título: “Obama impôs sua marca em 100 dias de governo”. A segunda, de Marc Champion e Peter Fritsch (que foi traduzida do The Wall Street Jounal), trazia o nome: “Em 100 dias, política externa de Obama falta dizer a que veio”. Ou seja, duas visões opostas sobre o mesmo tema.

Achei tão interessante usarem os mesmos fatos para sustentar argumentos tão distintos, que resolvi compartilhar com todos. Como são colunas grandes, separei alguns temas:

Pra começar, ambos falam das viagens de Obama, principalmente para a Europa. Enquanto um elogia o fato de o novo presidente ter uma boa aceitação entre os europeus (foi aplaudido de pé por lá algumas vezes), o outro ressalta a reação que tiveram os governos, que agora teriam “mais exigências dos EUA a contestar” do que no governo Bush. ” Em apenas uma semana, rejeitaram pedidos para que gastem mais dinheiro para estimular suas economias, mandem mais tropas para o Afeganistão e aceitem a Turquia como membro da União Européia. Um memorando do governo francês que vazou recentemente também se referia com sarcasmo às ambiciosas propostas de Obama de eliminar as armas nucleares”.

O editorial destaca o fato de que em pouco tempo Obama conseguiu imprimir uma nova marca, conversas com Irã e Venezuela, por exemplo, a ponto de fazer até o Chávez dar a ele um livro.

A outra coluna ressalta que, embora tenha havido muita conversa, nada de concreto foi feito, nenhuma medida que realmente mudasse alguma coisa. Também é fato. Ressalta a possível ingenuidade do novo governo frente a desafios externos importantes, como Rússia, Irã, China e Coréia do Norte.

Embora concordem com o bom começo com relação às políticas para a Ásia Central – principalmente quando da mudança de foco do Iraque para o Afeganistão -, a coluna do Wall Street Journal diz que não há muito, mesmo que com a boa vontade, que os EUA possam fazer por lá. Além disso, as possíveis alianças, vistas como boas pelo editorial, com o Irã, China e Rússia para o Afeganistão, seriam muito difíceis de se manobrar.

Opinião pessoal: o Obama não é a mudança em si. Ele é, antes de tudo, um símbolo de mudança. E em torno de sua figura, tem-se visto que algumas coisas estão ficando diferentes, sim. Isso não se nega. Só pra ficar num exemplo, as políticas para o clima. Pela primeira vez, os EUA têm se mostrado engajados nesses temas.

Mas nem tudo foi certo. Vejam este post do Ivan, por exemplo…

Minha conclusão: nenhum dos dois artigos estão errados. Ambos mostram como as atitudes do Obama tiveram um lado positivo e também negativo.

Conclusão 2: foram só 100 dias de governo ainda, dexa o home trabalhá…


Categorias: Estados Unidos


0 comments