10 anos depois

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Na última segunda-feira, dia 19 de agosto, comemorou-se o Dia Mundial da Ação Humanitária, em homenagem àqueles que dedicam suas vidas ao trabalho humanitário nas mais diversas situações de necessidade no mundo, recordando especialmente os trabalhadores que perderam (e ainda perdem) suas vidas no trabalho.

A data foi criada pelas Nações Unidas no ano de 2008, relembrando o triste atentado de 19 de agosto de 2003 em Bagdá, no Iraque, durante o qual 22 funcionários da ONU faleceram e mais de 150 ficaram feridos. Neste dia o Brasil e o mundo lamentaram a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, então chefe da missão no Iraque, funcionário de grande reconhecimento e possivelmente cotado para assumir o Secretariado-Geral desta organização à época (interessante documentário sobre sua vida e legado disponível aqui).

10 anos depois, vemos que as condições de trabalho humanitário no mundo têm se tornado cada vez mais difíceis, com crises que impressionam pela quantidade de vítimas, pela dificuldade de acesso da ajuda e, frequentemente, pela imobilidade internacional diante dos grandes interesses político-econômicos em jogo. Uma Síria especialmente preocupante nos provoca hoje reflexão sobre as condições de trabalho humanitário no mundo. Quantos Sérgios anônimos não perdem a vida diariamente na realização de seu trabalho? Quanto ainda deve ser feito para garantir a proteção daqueles que escolheram a proteção dos mais vulneráveis como opção de vida?

Incertezas ainda rondam o atentado ao Iraque em 2003 (leia aqui artigo de Carolina Larriera, companheira de Sérgio Vieira de Mello também presente no momento do atentado) e aceitar esse contexto político de interesses obscuros talvez seja uma das tarefas mais difíceis para qualquer pessoa envolvida com cooperação humanitária. Os ideais se veem confrontados com uma realidade muito menos gentil, mas diante da qual não se pode deixar de acreditar na possibilidade de fazer a diferença em sociedades afetadas pelas mazelas de conflitos armados e desastres socioambientais.

Que este marco de 10 anos desde o atentado em 2003 possa de alguma forma nos lembrar do que já passou, nos fazer questionar o que ainda não está claro, nos inspirar pelo exemplo de tantos – mas especialmente de Sérgio Vieira de Mello – e nos mostrar que os caminhos a seguir ainda estão sendo traçados e que devem respeitar sempre os princípios humanitários para aqueles que sofrem e também para aqueles que trabalham para minimizar este sofrimento.

[Em meio às homenagens ao Dia Mundial da Ação Humanitária, a campanha anual da ONU tem como conceito “transformar palavras em ações”, incentivando as pessoas a completarem a frase “O mundo precisa de mais…” para que as palavras sejam financiadas pela iniciativa privada em prol das ações humanitárias que estão se desenvolvendo hoje no mundo. Veja mais aqui e participe aqui.] 


Categorias: Assistência Humanitária, Brasil, Direitos Humanos, Organizações Internacionais


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