1.000° Post! Três anos e meio de mudanças

Por

 

Confesso que foi difícil para eu escrever este post. Afinal, desde que deixei de trabalhar na área de Relações Internacionais, não escrevo mais com tanta frequência quanto nos idos de 2009 e 2010, logo no início do blog. Além de ser uma grande responsabilidade e orgulho ter escrito o 1° e o 1.000° post deste que se tornou tão importante blog na área de RI, ganhou diversos prêmio e até virou livro.

O fato é que muita coisa além da minha vida e do meu trabalho mudaram. Mas o que mais mudou, certamente, foi esse mundo em que vivemos. E, guiados pela máxima que nos orientou por este tempo todo, aventuramo-nos na tentativa de tornar os acontecimentos do mundo mais compreensíveis pelas pessoas que nos acompanham e que, muitas vezes, optaram por não investir 4 anos de suas vidas num curso de Relações Internacionais. Afinal, “o mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível”.

Quando criamos o blog, o mundo vivia uma fase de esperanças. Presidentes de esquerda eleitos, a Europa sendo considerada modelo de integração por muita gente, a máquina chinesa mostrando sua força, protestos mundo afora contra os extremismos e guerras e, o mais inesperado e importante, um presidente negro sendo eleito na maior economia do mundo.

Podia ser melhor? O que mais esperar desse mundo em que o Orkut era a principal rede social e o Facebook era coisa de gente chique e nojenta?

No Brasil, a ‘esperança vencia o medo’ com o início da nossa projeção internacional. O G-20 era um simbólico fórum, pois os rumos do mundo eram decididos mesmo nas reuniões do G-8. Nosso país, convidado para a última reunião importante desse grupo, rebelava-se e dizia “não vamos comer a sobremesa dos ricos”. Quanto tempo… Até que veio a crise para mudar tudo.

E nesse meio tempo, Giovanni Okado, Luis Felipe Kitamura, Bianca Fadel, Cairo Junqueira, Raphael Camargo Lima, Ivan Boscariol, Álvaro Panazzolo, Andrea Citron, Rafael Teixeira Braz, Carla Dias, Adriana Suzart, Anna Furukawa e eu, Alcir Candido, vivemos esses acontecimentos. Alguns, inclusive, de perto, como quando o Luis Felipe Kitamura, que estava no Equador, viu e cobriu aqui para o blog o conflito que quase depôs o presidente Rafael Correa.

Hoje, Obama é considerado por muitos com o uma decepção. A Europa ruindo com seus ideais de integração. Até partidos neo nazistas e de extrema direita sendo eleitos por lá. Até no Brasil alguns sonhos começam a ser questionados pelo mau desempenho da economia. Alguns presidentes de esquerda da América Latina sofrendo um novo tipo de golpe branco constitucional, como no Paraguai.

A esperança ainda existe, como na primavera árabe. Quem imaginaria que um Facebook e um Twitter seriam tão importantes para a derrubada de ditadores?

E ninguém se arrisca a dizer como serão os próximos 3 anos e meio. Como será o post de número 2.000?

Quem viver lerá aqui na Página Internacional!


Categorias: Post Especial