Ambiente inóspito

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Quem navega a internet sabe que a Austrália é famosa pela fauna bizarra e letal, inglês com sotaque e gírias indecifráveis e por usarem as cores do Brasil nos esportes apesar de sua bandeira ser azul e vermelha. Nesta semana, o país vem ao noticiário com notícias bem chamativas – e polêmicas.

Primeiro, foi o primeiro país a fechar oficialmente as portas a cidadãos do oeste africano afetados pela epidemia de ebola. A medida, com a intenção de evitar o contágio do vírus no país, é polêmica pois vai contra instruções da própria OMS (Organização Mundial de Saúde) e os fatos – apesar do pânico, o número de pessoas infectadas fora da África não chega a uma dezena. A paranoia deu certo (como mostrou bem o caso suspeito que mobilizou o Brasil há umas duas semanas), e quase todos os países estão tomando medidas preventivas e de isolamento satisfatórias quando há suspeitas. A chance de uma epidemia em outros continentes é remota. E negar vistos é considerada uma atitude grave no cenário internacional – claro que os países podem escolher quem pode ou não entrar, mas na maioria, desde que tenha o visto, a circulação de pessoas é livre. Negar esse direito equivale à privação de um direito universal, e definitivamente não é uma medida que ajuda na luta contra a epidemia, pois significa que o envio de pessoal australiano para ajudar nas áreas afetadas (onde números oficiais contam mais de 5 mil mortos mas estimativas chegam a quatro vezes mais) também fica proibido.

Segundo, o país está endurecendo leis contra terrorismo. Pode parecer uma coisa positiva, mas a exemplo do Ato Patriota de Bush há acusações de ser uma justificativa para ameaçar direitos civis, discriminar indivíduos de religiões específicas e “imunidade civil” para agentes da lei – o que poderia liberar geral, por exemplo, a prática de tortura, à sombra do Estado. Desnecessário dizer que isso revoltou defensores de direitos civis e organizações islâmicas pelo mundo. Isso vem no momento em que a Austrália se junta à coalizão internacional contra o ISIS, e a medida que tem como objetivo “proteger” o país pode ter o efeito oposto, trazendo atenção internacional e ódio daqueles a que se dirige. Basta ver o que aconteceu no Canadá semana passada para entender que não é nada impossível uma ação desta natureza em um país aparentemente pacífico e longe da carnificina do Oriente Médio.

Essas duas notícias mostram um pouco de intransigência – o governo conservador do premiê Tony Abbott mostra claramente que, em momentos de crise, uma guinada conservadora pode ser a medida considerada mais segura pelos governos para preservar sua integridade. Porém, os resultados são os mais adversos possíveis.


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Política externa e futuro

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O que significa a reeleição de Dilma Rousseff para o Brasil na área da Política Externa? Por um lado fica difícil pensar nos planos para o futuro já que, como de praxe, o debate eleitoral marginalizou (de ambos os lados) a discussão sobre Política Externa e Defesa (duas das principais atribuições da Presidência). Por outro, temos o histórico de Dilma nesses últimos quatro anos, que vão mostrar indícios do que poderá ser esse próximo quadriênio.

Dilma começou seu governo com Antônio Patriota no timão do Itamaraty, um nome de peso e respeitado na carreira, mas que sofreu ao tentar conciliar planos de uma diplomacia mais convencional com o gigantismo (chamada por alguns de “megalonaniquismo”) da política externa de Lula. Lentamente corroído e finalmente espinafrado após o causo do senador boliviano que fugiu para o Brasil debaixo do nariz do Itamaraty, ganhou o exílio dourado na sede da ONU enquanto o discreto Luiz Alberto Figueiredo assumia a chancelaria. Essa turbulência é sintomática de um período instável e, de certo modo, desfavorável para o país no cenário internacional.

Dilma nunca teve o espetáculo de Lula em termos de Política Externa. A busca pela diversificação de parcerias minguou; na ONU, a cruzada pela busca do assento permanente no CS da ONU parece cada vez mais uma realidade distante e colocada em segundo plano, e o conceito de Responsabilidade ao Proteger está esquecido; novas lideranças como a Turquia disputam um espaço de liderança com os países do “Sul” que antes tinham o Brasil como principal referência; dificuldades econômicas e escândalos políticos causam efeito adverso em investidores e afetam o ambiente financeiro e a confiança no país. Parece que o Brasil perdeu espaço nesses quatro anos. Porém, ao mesmo tempo, o país também protagonizou momentos de grande exposição, como a liderança, ao lado da Alemanha, do movimento de indignação contra a violação de dados e espionagem contra líderes mundiais feita pelos EUA, a indicação de um brasileiro, Roberto Azevêdo, para presidir a Organização Mundial do Comércio (e conseguir, após uma década, fazer andar minimamente o acordo da rodada Doha de liberalização do comércio), e intenso empenho na ONU para a aceitação da Palestina como membro observador na Assembleia Geral. Não foi pouca coisa.

Pensar em curto prazo nas consequências dessas escolhas é um exercício arriscado. Há de se lembrar que Política Externa é uma política de Estado, e deve sobreviver à mudança de governos. Coesão e previsibilidade são características de uma chancelaria forte, e o Brasil permanece atrelado a princípios históricos de sua atividade. Um exemplo claro dessa discordância foi a exposição dada ao discurso de Dilma na ONU, que se interpreta como uma tolice ao ser lido como a proposição de “discussão” com os terroristas do ISIS. Qualquer conhecedor da tradição diplomática brasileira sabe que o país preza pela não intervenção e soberania. Defender os meios não violentos não significa aceitar o terrorismo (que o país repudia, de qualquer modo), mas denuncia o emprego da força em situações como a do Iraque e da Síria, cujos resultados geralmente são catastróficos e distantes do objetivo almejado – como o noticiário comprova diariamente o esforço de Sísifo da coalizão.

Talvez a palavra-chave seja “alerta”. A posição do Brasil no cenário internacional hoje não é a mesma de quando Lula deixou o Planalto, mas tampouco é o desastre completo que se veicula por aí, e ainda goza de muito prestígio. O perfil da governante alterou o modo de operação visto em Lula, mas as metas tradicionais de nossa diplomacia estão lá, bem ou mal. Parece que Figueiredo não terá a sorte de seu colega da Fazenda e se manterá no cargo em 2015, então se pode esperar que não haja grandes mudanças no perfil da atuação do Itamaraty. Mas diversas áreas demandam ação (da busca pelo assento permanente e disputas econômicas no seio do Mercosul), e caberá à presidente ponderar sobre erros e acertos para definir quais as metas para os próximos quatro anos.


Categorias: Brasil, Política e Política Externa


Aniversariante da semana

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post3 300x211 Aniversariante da semana

24 de outubro de 1945 é o dia oficial de nascimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e, portanto, na última sexta-feira celebramos seu 69º aniversário. Isto significa que há quase 70 anos entrou em vigor a Carta da ONU, em que “os povos das Nações Unidas” declaram seus compromissos diante dos princípios, da estrutura e dos objetivos da organização.

Ban Ki-moon iniciou sua mensagem oficial esse ano dizendo que a ONU é mais necessária que nunca no momento atual. De fato, em tempos tão críticos em que o mundo se defronta com desafios que vão desde uma assustadora epidemia de Ebola até históricos conflitos políticos como Gaza, uma estrutura que favoreça o diálogo internacional e impulsione esforços multilaterais se faz imprescindível.

Entretanto, nem tudo são flores e a teoria da luta por esforços compartilhados se distancia da prática de defesa de interesses individuais que tende a prevalecer. Inegável sendo que o papel da ONU é extremamente importante, imprescindível é reconhecer a necessidade de reforma de sua estrutura.

O tradicional Conselho de Segurança com o poder de veto – e, portanto, de determinação da agenda propositiva – restrito a Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido nos faz acreditar que não estamos em 2014, e sim em 1945…

Celebrar é importante e a existência da ONU foi determinante nas últimas décadas para o delineamento das pautas e decisões multilaterais entre os seus 193 países-membros. A comunidade internacional, nos mais variados espaços onusianos destinados a temas políticos, econômicos, sociais, ambientais, etc., pode se posicionar e debater os assuntos que, cada dia mais, se tornam transfronteiriços.

Às vésperas do ano em que celebraremos seu 70º aniversário, contudo, vale a reflexão sobre como tornar essa estrutura única mais eficiente e menos demagógica, alcançando na prática o seu propósito essencial de garantir a paz e a segurança internacionais


Categorias: Conflitos, Organizações Internacionais, Paz


Levando na conversa

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Com toda a crise do ISIS e a formação da coalizão dos EUA e amigos no Oriente Médio, um assunto que tem passado ao largo do noticiário internacional é a crise do programa nucelar iraniano. Para quem não lembra, é a grande crise geopolítica da região, mais ainda que a questão palestino-israelense, e envolve o delicado balanço de poder da região. Até a eclosão das revoltas da Primavera Árabe, era o grande tema da política norte-americana na região, e não deixa de ser – mas enfrenta complicações justamente por causa dos efeitos das revoltas, e a aproximação da data-limite para sair um acordo.

Como está a situação atual? O Iraque (antigo inimigo do Irã) tem agora um governo pró-Teerã, e enfrenta problemas com o ISIS juntamente dos curdos e com apoio dos EUA. A Síria está dividida em três, com o governo Assad (amigo do Irã), o ISIS (inimigo de todo mundo) e as forças de oposição espalhadas (que deveriam ter apoio ocidental mas estão à míngua). O Irã tem uma aproximação tímida com os EUA após a eleição de Hassan Rohani, mas ainda é tecnicamente um inimigo pelo apoio a Assad, oposição a Israel, entre outros.

Como o acordo do programa nucelar afeta isso? A negociação, envolvendo os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, busca frear o programa nucelar iraniano oferecendo a contrapartida de retirar algumas das sanções aplicadas ao país por conta do mesmo. Seria a chance perfeita de barganhar um auxílio contra o ISIS – como diz a máxima realista, o inimigo do meu inimigo pode ser meu amigo. O problema é que existe muita desconfiança, especialmente nos EUA (onde até tem quem deseje que a coisa azede). O lobby israelense é forte e qualquer aproximação de Teerã seria malvista. Talvez a coisa funcione indiretamente – por meio, por exemplo, da Turquia, que está cada vez mais ativa na questão do ISIS e poderia fazer essa “intermediação” entre os lados. Trazendo o Irã, indiretamente a Síria estaria envolvida nessa coordenação. Um front unido contra o ISIS é irreal, mas a coordenação é possível, e um dos indicativos (ou, mais ainda, fundamentos) para isso seria a confiança resultante de um eventual sucesso nas negociações do programa nuclear.

De fato, o que temos é uma discussão cercada de mistério e, apesar das possibilidades, com um indicador de fracasso rondando as negociações. Caso isso aconteça, além da possibilidade de mais sanções serem aplicadas, perder-se-ia uma chance de ouro de formar uma aliança eficaz para os envolvidos enfrentarem uma das maiores complicações geopolíticas da história recente.

 


Categorias: Conflitos, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa, Segurança


Indignação à mexicana

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606x340 284884 300x168 Indignação à mexicana

Existe muita indignação com o grupo Estado Islâmico pelo modo ultrajante pelo qual elimina seus opositores e prisioneiros, degolando pessoas em pleno século XXI. Mas o ultraje deveria ser muito maior quando se pensa que muito mais pessoas sofrem esse destino, ou pior, bem ali no quintal do Tio Sam, por obra dos carteis de narcotraficantes mexicanos.

Desde 2010 temos notícias escabrosas de covas coletivas cheias de pessoas decapitadas, sejam imigrantes ilegais ou pessoas com dívidas do tráfico. Mas parece que foi preciso um novo grau de crueldade para que a indignação internacional finalmente fizesse com que o mundo volte os olhos para a situação do México. Há algumas semanas, estudantes de uma escola rural participavam de um ato em prol de melhorias na educação no estado de Guerrero, e logo veio a repressão policial. Nada de novo, infelizmente, mas o desfecho foi trágico – levados em camburões, 43 estudantes estão desaparecidos até hoje, apesar de dezenas de cemitérios clandestinos e corpos carbonizados terem sido encontrados. A suspeita é de que o governo esteja envolvido com um cartel criminoso e tenha enviado os estudantes para os traficantes realizarem seu trabalho sujo.

A situação do México já era considerada calamitosa há muito tempo do ponto de vista humano – mais de 10 mil mortos na “guerra” contra o narcotráfico desde a década passada. Porém, o aumento da violência escancara uma realidade comum até mesmo ao Brasil – a participação de agentes da lei no crime, mas de maneira muito mais profunda. Denúncias de militares eliminando civis são exemplares não apenas de despreparo das forças de segurança, mas de um governo em que a corrupção e o crime se imiscuem com o Estado.

O que mudou para que esse caso causasse tanta comoção? Talvez o fato de serem apenas estudantes, jovens lutando por seus direitos. Ou o fato de que, estando desaparecidos, ainda haja uma esperança, por menor que seja, da possibilidade de resgate. O fato é que a conivência de setores do Estado para com essa violência está gerando uma onda de protestos pelo mundo, inclusive no Brasil, além de reprimendas oficiais da OEA e da ONU. E claro, apesar da reação do governo federal, inflamou os protestos no próprio México, se espalhando da região para o país todo.

Fora o aspecto humanitário, acima de tudo, este ocorrido deixa uma importante informação sobre os protestos – desde a tal Primavera Árabe de 2011, quase todos os protestos que ocorrem ao redor do mundo estão tendo, em certo grau, uma repressão violenta. Do Bahrein à Ucrânia, de Hong Kong ao México, o desejo de mudança parece não ser compreendido pelos governantes, sob o risco de inadvertidamente fortalecerem o próprio movimento que visam a debelar. Esperamos que seja o caso do que está acontecendo no México.

 


Categorias: Américas, Direitos Humanos, Mídia, Política e Política Externa, Segurança


Há um ano...

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post2 300x219 Há um ano...

Há um ano, três assuntos principais eram destaque na nossa Página Internacional.

Um dos assuntos envolvia a possibilidade de que o mundo presenciasse, pela primeira vez, um “calote histórico” da dívida pública nos Estados Unidos, pois o Tesouro estava à beira de um colapso, sem acordo e sem recursos para cumprir seus pagamentos ao mercado financeiro. Aos 45 minutos do segundo tempo, na data limite, o acordo passou pelo Congresso estadunidense e foi assinado por Obama, evitando o default do país. Apesar disso, o abalo econômico foi expressivo; e democratas e republicanos seguem no embate que envolve principalmente a reforma de saúde do governo democrata (“Obamacare”), ainda profundamente criticada pela oposição

Outro tema à época envolvia o Prêmio Nobel da Paz, cuja subjetividade leva à premiação de Obama (2009) ou União Europeia (2012)… se no ano passado a aposta na menina paquistanesa Malala foi frustrada com o prêmio sendo destinado à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), em 2014 o comitê organizador, com um pouco de atraso, agraciou Malala Yusafzai, juntamente com o ativista indiano Kailash Satyarthi. Malala, com o seu grande exemplo, apesar de seus apenas 17 anos, se tornou a pessoa mais jovem a ganhar um Prêmio Nobel na história.

Por fim, há um ano o que chamou a atenção mundial foi o anúncio de que a Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo processada (!) pela população do Haiti, por meio do Instituto para a Justiça e democracia no Haiti (IJDH), devido à epidemia de cólera que se alastrou no país em 2010 por meio por integrantes das tropas de paz da ONU vindos do Nepal em missão ao Haiti. A doença havia sido erradicada no país há mais de um século, porém, desde 2010, mais de 700.000 pessoas foram infectadas, com mais de 8.500 casos fatais.

Dada a peculiaridade do tema, o assunto se reveste de um teor político sensível, pois as vítimas de cólera não foram compensadas e a ONU, por sua própria natureza, possui teoricamente imunidade internacional. Contudo, o tema segue em aberto e há poucos dias um juiz de Nova York decretou audiçõespara este mês durante as quais será discutido se a ONU pode ou não responder em tribunal neste tipo de situação. A ver se, em um ano, o assunto já terá sido resolvido nas instâncias correspondentes…

Postando e relembrando, este é o “Há um ano…” na nossa Página Internacional!


Categorias: Estados Unidos, Há um ano..., Organizações Internacionais, Polêmica


Sobre nossas cabeças

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Nesta semana, causou um certo rebuliço na comunidade cientifica a notícia do retorno de uma missão espacial secreta dos EUA. A espaçonave retornável X-37B, um veículo de teste orbital não tripulado, esteve voando (na verdade, caindo – uma órbita planetária é basicamente uma queda sem fim em direção à curvatura do planeta) em torno da Terra, pasmem, desde 2012. Após 22 meses, seu retorno levanta uma série de questões sobre a sua misteriosa finalidade.

Há satélites que passam muito mais tempo, é claro. Mas eles são feitos para ficarem na sua órbita até o fim de sua vida útil (ou trombarem com qualquer coisa) e virarem lixo espacial. Um veículo que vai para o espaço, fica mais de um ano em órbita e volta há de ter alguma particularidade. Seria apenas uma missão de teste da viabilidade do novo veículo, mas por que não ser feito pela agência civil, a NASA? Aí que começa a especulação, que vai de espionagem a possibilidades mais estarrecedoras, como uma plataforma de armas de alcance inigualável.

Devemos lembrar que existe uma convenção internacional para o uso do espaço. De 1967, o Tratado do Espaço Exterior surgiu no auge da corrida espacial entre EUA e URSS, e serviu principalmente para definir de quem era a culpa quando uma nave ou satélite artificial caísse na Terra, e seu ponto mais famoso, o de proibir o emprego de armas nucleares e de testes dos mesmos além da nossa atmosfera. Mas não diz nada sobre armas convencionais – tanto que nos anos 80 os EUA tiveram seu sonho de projeto Guerra nas Estrelas, com lasers interceptadores de mísseis e tudo mais.

A implicação de um projeto dessa natureza é enorme em termos de estratégia – SE for de aplicação puramente militar, claro. A utilidade dos satélites espiões já é reconhecida, mas uma plataforma móvel, capaz de com ajustes de rota se posicionar sobre quase qualquer lugar do globo, fora do alcance de qualquer sistema de defesa… seria uma nova etapa na capacidade de dissuasão. Na verdade, um salto sem precedentes desde a implementação da tecnologia nuclear. Mesmo pensando em termos mais realistas, como um veículo sub-orbital, capaz de realizar suas missões viajando além da atmosfera, já seria algo preocupante para quem não dispusesse dessa tecnologia.

Porém, há pelo menos duas considerações importantes. A primeira é que, independentemente do uso, provavelmente apenas os EUA vão dispor desse luxo por um longo tempo. Programas espaciais são caros, e por mais dinheiro e mentes que o país tenha dedicados a isso (veja China ou Índia) demora muito para alcançar um grau de excelência nessa área. Ou seja, mesmo que seja uma inovação assombrosa, se apenas os EUA vão dispor disso, literalmente nada vai mudar em termos geoestratégicos. Simples assim. A segunda, um pouco mais sensata, seria de que não se trata de um projeto puramente militar. Muitas das inovações da vida comum, do forno micro-ondas à meia de lycra vieram de novidades militares. A exploração espacial moderna parece rumar para o caminho das empresas privadas, mas a pesquisa estatal não deixa de ser uma opção. Devemos lembrar que boa parte dos astronautas são militares, então não é nada inédito que possa estar havendo uma cooperação entre as agências.

Não sei se no futuro haverá guerras espetaculares com bombardeios orbitais fazendo chover destruição, mas a navegação espacial é uma realidade e, acima de tudo, uma necessidade para o ser humano. Qualquer avanço nessa área deve ser comemorado, e a capacidade de colocar um veículo em órbita e recuperá-lo inteiro mais de um ano depois é algo mais que notável.


Categorias: Estados Unidos, Polêmica, Segurança


Imagem da Semana

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Acabou a lua de mel com o Brasil? Pelo menos com a revista britânica The Economist, sim. Aquela que em 2010 mostrava uma capa com um Cristo Redentor decolando como um foguete como símolo do país que crescia quase 8% ao ano, já não mostrava tanta confiança em 2013, com a imagem do mesmo Cristo em uma espiral decadente. Agora, com as eleições, o tom é azedo, com uma imagem que remete à Carmem Miranda cheia de frutas podres na cabeça. A capa foi recebida com indignação pelo governo. o que revela duas coisas. Primeiro, que linhas editoriais podem sim mudar – e não necessariamente a depender de interesses políticos. Segundo, a opinião dos governos pode mudar também – já que em 2010 e Economist era a coisa mais linda do mundo, mas hoje…


Quem é vivo aparece…

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…e no caso da Coreia do Norte é uma boa notícia. A fim de desmentir boatos que circulam há semanas sobe seu estado de saúde, o líder do país, Kim Jong-un fez uma aparição pública esta semana para mostrar que está firme e forte na condução da nação. A questão é que o herdeiro da dinastia Kim estava sumido há quase 40 dias e não compareceu a eventos políticos importantes, o que causou todo tipo de especulação (especialmente dos sul-coreanos) sobre todo tipo de sinistro que pudesse ter acometido o grande líder, de um golpe militar a problemas de saúde graves, e até mesmo a morte. Na verdade, essa possibilidade ainda não está descartada – há que diga que seja um sósia roliço…

Naquele mundo à parte da realidade que existe no país asiático, o que se sabe é que Kim apareceu de bengala e parece ter a saúde fragilizada. Em essência, a confirmação de sua permanência é uma boa notícia, pois o marechal de 31 anos já demonstrou reiteradas vezes ser um líder bem mais ponderado que seus antecessores (o que o colocaria em choque com os mais conservadores e radicais do partidão). Kim Jong-un, de educação ocidental, pode ser o fiel da balança quando pensamos na relação da Coreia com sua vizinha do sul e as potências ocidentais.

Apesar dos disparos e eventuais escaramuças, atitudes recentes como a liberação da entrada de familiares separados desde a época da guerra da Coreia, e reuniões militares de alta patente reforçam a noção de que nunca antes os países estiveram tão perto de chegar a um consenso sobre seu conflito congelado. Apesar da bravataria e testes de mísseis, a possível retomada do “six-party talks”, a negociação com os EUA, Rússia e outros países sobre o programa nucelar norte-coreano é um sinal extremamente louvável de que se pode vislumbrar uma solução pacífica para a questão.

Ainda persistem temores, especialmente do Japão, além de rusgas pontuais como o problema da libertação de três americanos presos por espionagem, mas não era possível pensar nesse tipo de aproximação clara quando Kim Jong-Il estava no poder. Cercada em mistério pela censura oficial, o que dá para saber sobre a Coreia do Norte é que Kim Jong-um tem um impacto positivo nas relações internacionais do país, e a sua permanência deve ser, de certo modo, comemorada.


Categorias: Ásia e Oceania, Defesa, Política e Política Externa, Segurança


X UNSP

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UNSP X UNSP

Caríssimos leitores,

Entre os dias 08 e 13 de novembro, ocorrerá o X United Nations Model of São Paulo (UNSP). Famigerado modelo da ONU organizado pelo tradicional Grupo de Estudos, Pesquisa e Simulação de Organizações Internacionais (GEPESOI) da UNESP Franca, o UNSP é um dos mais tradicionais do Brasil, crescendo a cada edição. Trata-se, portanto, de um evento altamente recomendável aos entusiastas de simulações de organizações internacionais e interessados em conhecer melhor seu funcionamento.

Em 2014, o tema geral será “A busca por um bem-estar internacional do âmbito humanitário ao político-social”. Serão simulados os seguintes órgãos com seus respectivos temas:

– Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Sudão do Sul: Da crise política aos conflitos étnicos” (simulado em português e individual);

– Conselho das Nações Unidas para Direitos Humanos. “A impunidade perante as violações dos Direitos Humanos dentro do contexto das Crianças Soldados” (simulado em português e individual);

– Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR). “Environmental Refugees: the urgency of the situation and conditions of the refugee camps” (simulado em in glês e em duplas)

– Assembleia-Geral da ONU, com tema surpresa

Para mais informações, acessem www.gepesoi.com


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