Série Especial: 100 anos depois: Visões da Guerra

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“Filas de rostos pálidos murmurando, máscaras de medo,

Eles deixam as trincheiras, subindo pela borda,

Enquanto o tempo bate vazio e apressado nos pulsos,

E a esperança, de olhos furtivos e punhos cerrados,

Naufraga na lama. Ó Jesus, fazei com que isso acabe!”

(Siegfried Sassoon citado por Eric Hobsbawm em “Era dos Extremos”)

soldado alemao ferido maio de 1915 300x224 Série Especial: 100 anos depois: Visões da Guerra

Soldado alemão ferido em maio de 1915

Introdução

Quando começou o século XX? Para muitos, a resposta parece óbvia. Mas, para as relações internacionais, pode-se dizer que esse marco temporal remete-se ao ano de 1914. Afinal, o que tal data tem de tão importante para autores famosos das mais variadas linhas de pensamento como Eric Hobsbawm em seu livro “Era dos Extremos – O breve século XX (1914-1991)” ou Jeffry Frieden em “Capitalismo Global – História econômica e política do século XX” pontuarem 1914 como o início do último século ou fase do “Tudo o que é sólido desmancha no ar…”*? A resposta, num primeiro momento, é bem simples: 1914 remonta ao início do primeiro grande conflito de proporções globais, a Primeira Guerra Mundial.

No dia 28 de julho de 1914, há exatos cem anos, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia em virtude de instabilidades políticas cujo estopim foi o conhecido assassinato do Arquiduque austríaco Francisco Ferdinando em junho do mesmo ano. A partir de então, as grandes potências da época organizaram-se em duas alianças: a Tríplice Entente composta por Reino Unido, França e Império Russo e a Tríplice Aliança formada pelo Império Alemão, Áustria-Hungria e Itália.

Também conhecida como “Guerra das Trincheiras”, a Primeira Guerra Mundial perdurou até 11 de novembro de 1918, quando fora assinado o Armistício de Compiègne entre a Alemanha e a Tríplice Entente, esta já não mais contanto com a participação russa, mas possuindo o adendo dos estadunidenses, os quais entraram no conflito em 1917. Durante mais de quatro anos o mundo conheceu o que viria a ser “A Era da Guerra Total”**, posteriormente também denominado de “Século das Revoluções”***.

palacio de versalhes IGM 300x224 Série Especial: 100 anos depois: Visões da Guerra

Salão do Palácio de Versalhes: palco que assinalou o fim da Primeira Guerra Mundial em 1919

Seu marco temporal final, conforme mencionado acima, perdurou até 1918. Todavia, mesmo passados cem anos, vemos nas relações internacionais contemporâneas uma ordem que se remete e resulta daquele grande conflito. A assinatura do armistício trouxe um ponto e vírgula, mas não um ponto final aos conflitos entre as grandes potências. Exemplo maior dessa constatação veio logo em seguida com as conhecidas Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a Guerra Fria.

Mesmo conhecendo o que havia de pior à época, a Primeira Guerra Mundial trouxe inúmeras mudanças ao cenário internacional nos seus mais variados âmbitos, os quais incidiram na política, economia, defesa, estratégia, sociologia, dentre outros assuntos vitais para as relações internacionais. Deste modo, procurando compreender o conflito, bem como entender o que a guerra trouxe de novo ao século XXI, a Página Internacional inicia hoje uma série especial intitulada “100 anos depois: Visões da Guerra”.

Ao longo das próximas semanas, traremos alguns textos com o intuito de trabalhar com os aspectos da Primeira Guerra Mundial citados no parágrafo acima. Dentre os mesmos, procuraremos lançar observações aos seguintes questionamentos:

1) Quais foram os impactos econômicos e políticos do conflito na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos?

2) Quais foram as nuances estratégica-militares e como elas influenciaram o pensamento estratégico no decorrer do século XX?

3) Qual foi o papel do Brasil no conflito? Como se portava o ambiente nacional naquele período e em que se sustentava nossa Política Externa?

4) Quais foram os reflexos da guerra na memória da Europa? No pós-guerra, que faceta os países tomaram após as reconciliações?

5) Qual o legado do conflito para a Segunda Guerra e a Guerra Fria, bem como para o surgimento das Relações Internacionais enquanto campo de estudos/conhecimento?

6) Quais foram os impactos sociais e culturais da guerra? Qual era o ponto de vista das populações que vivenciaram esse momento histórico?

Assim, a Página Internacional não poderia deixar em branco o centenário de um evento histórico que mudou o decurso político e proveu os meios de sustentação para o surgimento das Relações Internacionais, propriamente ditas. Nosso objetivo será incitar o debate e observar como aproximadamente quatro anos (1914-1918) tiveram no século XX e ainda possuem, em pleno século XXI, influência direta nos ordenamentos internacionais. Os anos que despedaçaram a Europa foram os mesmos que criaram um novo meio de se fazer e viver a política internacional.

Boa leitura!

* O excerto faz jus ao título do sexto capítulo do livro de Frieden, no qual o autor inicia sua análise ao que denomina “Tudo se desmorona, 1914-1939”.

** O excerto faz jus ao título do primeiro capítulo do livro de Hobsbawm, no qual o autor inicia sua análise ao que denomina “A Era da Catástrofe”.

*** O excerto faz jus a uma frase do documentário “Encontro com Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá” do cineasta Silvio Tendler.


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Boa educação?

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logo brazil3 300x243 Boa educação?

O que é um insulto? Pode ser uma expressão usada para expressar algum descontentamento e frustração, praguejando contra si mesmo ou o universo, mas geralmente é algo utilizado para ofender o interlocutor. Rebaixar suas características morais, apontar algum sinal de inferioridade física ou social, depende do contexto e do entendimento do que está sendo comunicado – amigos podem se ofender com naturalidade, por vezes sem o sentido de insulto, mas experimente fazê-lo a um colega de trabalho.  Existem contextos que não podem aceitar esse tipo de conduta, e um deles é a diplomacia. Por isso causa tanta perplexidade a inusitada declaração de um porta-voz de Israel sobre a crítica brasileira ao conflito em Gaza: após o Itamaraty ter chamado para consultas seu embaixador em Tel Aviv (o que é considerado um sinal de alerta nas relações diplomáticas), Israel qualificou a atuação do País como “um anão” no cenário internacional. A resposta veio polida, por meio do chanceler Luiz Alberto Figueiredo, classificando a morte de civis como inaceitável e desproporcional. A tréplica veio em tom de deboche lembrando a lavada da Alemanha sobre o Brasil na Copa como exemplo de desproporcionalidade, e parece que novos capítulos virão.

É interessante notar que a diplomacia brasileira é uma das mais cautelosas do mundo – mantém boas relações com todos os países da ONU, evita opinar sobre temas mais arriscados ou que possam ter repercussões futuras, como a responsabilidade de proteger, e apresenta um dos corpos diplomáticos mais capacitados (basta comparar com as coisas que apareceram quando vazaram as correspondências norte-americanas…). Por isso soa tão… estranho, para dizer o mínimo, esse tipo de indelicadeza. É como se fosse gratuita.

Desde tempos antigos, o respeito e decoro fazem parte da relação entre nações estrangeiras com representantes oficiais – nos tempos dos reis e imperadores, o embaixador representava o papel do próprio soberano! Porém, a evolução histórica mostra que as práticas se adaptam ao tempo, e Hedley Bull já dizia que no século XX temos uma mudança bem atípica nesse cenário que ele denominava de “diplomacia do insulto”. Basicamente é usar os canais oficiais para desqualificar países adversários em uma guerra de palavras, por vezes de baixo calão. Basta lembrar do enxofre do diabo sentido por Hugo Chavez na ONU, Kadaffi rasgando a carta da instituição ou a Coreia do Norte chamando Barack Obama de um “macaco malvado”. É possível notar que esse fenômeno acontece por conta  de outro fenômeno, o da diplomacia presidencial, em que uma figura única concentra o papel de decisão e interlocução de questões da sua política externa, sem muito controle do corpo diplomático. Mas no caso de Israel, o descontentamento brasileiro vem justamente pelo ultraje de ter sido algo lançado pelo porta-voz do MRE deles.

Que tipo de motivação leva a essa resposta? Uma das justificativas de Israel é combater terroristas. Em uma interpretação maniqueísta, o Brasil expressar indignação com a morte de mulheres e crianças faz com que seja simpático aos que Israel denomina terroristas? A preocupação com o respeito a garantias fundamentais (sem esquecer do adágio de que em casa de ferreiro o espeto é de pau…) é sintoma de uma diplomacia irrelevante? Esta parece ser a lógica que transparece no comunicado. O que surpreende, visto que por meio do Mercosul o Brasil é um dos poucos países com acordos de livre-comércio com Israel. Ou ainda o fato de que um dos principais articuladores da criação do Estado de Israel foi o brasileiro Osvaldo Aranha, e que o país presidiu a sessão da ONU que o criou. Considerar um país responsável pela sua existência como irrelevante parece, no mínimo, contraditório.

A troca de ofensas, por mais brandas ou debochadas, mostra que a situação de Gaza chega a um ponto em que a indignação supera a ponderação. E deixa transparecer a blindagem que existe no cenário internacional à atuação israelense. Basta verificar o resultado da votação de uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU (que, francamente, não tem muita credibilidade sendo que já foi presidido por verdadeiros campeões da justiça como a Líbia) para o estabelecimento de uma investigação de crimes humanitários nessa ofensiva israelense em que os EUA foram o único país contrário à resolução (e com os aliados europeus se abstendo, em maioria). No fim das contas, Israel não precisa se preocupar muito com dissabores diplomáticos e pode subir o tom de voz quando quiser pelo simples fato de ter um aliado superpoderoso que pode e vai abafar qualquer contratempo. Mas também fica claro que, ao emendar às justificativas de praxe uma carga de insulto, tenta-se mudar o foco da questão ou evidencia-se a falta de argumento. Como diz a sabedoria popular, “apelou, perdeu”. E isso não contribui em nada para legitimar a posição de Israel nesse conflito em que cada vez mais parece lhe caber o papel de vilão.


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E o fantasma ressurge…

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post1 E o fantasma ressurge...
E o fantasma da fome ressurge na Somália – o que não significa que ele tenha, de fato, desaparecido totalmente em algum momento, mas desde 2011 não se via tão assustador como agora…

Há exatos três anos, a crise no Chifre da África levou a uma situação catastrófica em que mais de 250 mil pessoas morreram – especialmente crianças menores de 5 anos, faixa etária mais vulnerável a esse tipo de situação. Calamidade pública que gerou (e sempre gera) comoção internacional momentânea, porém pouca mobilização para soluções duradouras.

Condições sociais e políticas desfavoráveis em um país de triste histórico contencioso se somam a condições climáticas de seca que tornam crônico o problema da fome na região. Hoje foi divulgado comunicado por parte de vinte Organizações Não-Governamentais (ONGs), dentre as quais Action Contre la Faim e World Vision, segundo o qual a Somália se encontra à beira de uma nova crise de proporções similares àquelas de 2011.

Segundo as ONGs em questão, hoje existem mais de 300 mil crianças subnutridas e 2,9 milhões de pessoas que necessitam de meios de subsistência na Somália. Dados estarrecedores se considerarmos a população total do país, que é de aproximadamente 10,5 milhões de somalis.

Ainda é triste perceber que aqueles especialmente vulneráveis não se refizeram completamente da crise de 2011, com grandes possibilidades de reincidir em uma situação crítica se o quadro não se alterar nos próximos meses.

Se concordamos que a ajuda internacional não pode se perpetuar nos países, é nítido que esta também não pode deixar de existir em casos extremos como solução paliativa que impulsione a criação dos meios locais de desenvolvimento futuro. É preciso que se evitem novos laços de dependência nos dias atuais, porém não se pode negar que apoiar a população somali no atual momento representa uma demanda humanitária urgente e justificada em prol de níveis mínimos de segurança alimentar e nutricional na vida de milhares de pessoas.

Para que esse “fantasma” de fato se torne lenda, é preciso, entretanto, muito mais: criar estruturas localmente sustentáveis e que promovam o desenvolvimento com bases sólidas, desvinculando a imagem de país eternamente dependente de ajuda humanitária para fortalecer capacidades produtivas locais e, por consequência, livrar o país de (recorrentes) catástrofes de tamanha proporção.


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O jogo de culpar

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aviao ucrania 20140717 97 size 598 300x168 O jogo de culpar

A tensão entre Rússia e Ucrânia ganhou contornos ainda mais dramáticos com a tragédia de ontem, quando um avião malaio saindo da Holanda caiu enquanto sobrevoava a Ucrânia. Os destroços fumegantes vão ter consequências muito maiores que a perda de vidas humanas.

Ironicamente, o avião é do mesmo modelo e da mesma empresa que aquele desaparecido em março desse ano no Pacífico. Porém, mais que o luto pelas perdas, e em vez de causar dúvidas pelo mistério das causas do sumiço e fazer explodir teorias conspiratórias que chegam a pensar em alienígenas, o caso do voo MH17 vai causar um impacto geopolítico seja qual for o resultado das possíveis investigações. Isso por que, ao contrário de boa parte dos acidentes dessa natureza, esse foi intencional – o avião de passageiros foi derrubado, possivelmente por um míssil, e o jogo de acusações entre Ucrânia e Rússia esquentou nas últimas 24 horas.

Antes de tudo, deve-se pensar na causa. O avião caiu na região de contencioso entre Ucrânia e rebeldes separatistas com apoio russo. Com a possibilidade de acidente descartada, resta a hipótese de abate. Algum dos lados do conflito atacou um avião cheio de civis pensando ser do inimigo. Somente um sistema de mísseis sofisticado (do tipo que precisa de vários caminhões para carregar todo o aparato necessário, dos misseis a radares) ou aviões de caça poderiam ter atingido o avião de passageiros a mais de 30 mil pés (cerca de 10 mil metros) de altitude. Isso não exclui nenhum dos lados. A grande questão nesse caso, e que agora sim começa a fazer pipocar teorias conspiratórias, é o que ganha cada lado.

Apesar da incerteza, a hipótese mais provável até o momento, segundo um telefonema interceptado pelo serviço de inteligência ucraniano, é que o rebeldes separatistas tenham abatido a aeronave. Eles teriam recebido da Rússia o equipamento necessário, e seriam o único lado interessado diretamente na derrubada de um avião inimigo – no caso, teriam pensado se tratar de aeronave militar ucraniana e atacado. Tanto Ucrânia quanto Rússia não teriam interesse algum em derrubar aviões naquela situação… mas poderiam fazê-lo? Aqui entra a conspiração, pois segundo a lógica, um jogaria a culpa no outro. A Ucrânia poderia ter derrubado o avião para por a culpa nos rebeldes (e desde o Vietnã sabemos que países forjam esses ataques para criar justificativas o tempo todo). A imprensa russa ventila ainda a hipótese de que o alvo teria sido ninguém menos que o presidente Putin, que estava voltando da cúpula do BRICS em avião que passou por rota semelhante poucas horas depois. Moscou, por seu lado, teria pouco interesse direto nesse ataque, mas podemos pensar em algo semelhante, caso tentasse botar a culpa em Kiev.

Se a motivação ou o meio são incertos, o que sabemos é que quase 300 pessoas morreram em um covarde, porém não inédito, ataque a aviões civis. A caixa-preta estaria em poder dos rebeldes, o que coloca em xeque a lisura da investigação, e a troca de acusações entre os países vizinhos parece não acabar tão cedo. Seja qual for o lado, se for comprovado que o ataque foi premeditado (que a Ucrânia acusa de “terrorismo”), mesmo que causado por um equívoco de julgamento, teremos mais uma crise que demandará uma ação incisiva da comunidade internacional, doa a quem doer, apesar de ser um daqueles casos em que se não surgir um furo de reportagem é possível que nunca se saiba o que realmente aconteceu pela escala e ardileza dos envolvidos. Nesse monte de especulação, informações desencontradas e bate-boca, é cedo para declarar a iminência de um conflito internacional, mas se torna um desfecho cada vez mais plausível – e o preço em vidas tende a aumentar.


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Há um ano...

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Há aproximadamente um ano acontecia aqui no Brasil a Jornada Mundial da Juventude, considerada um dos maiores eventos globais. Com o título “Para América”, ressaltou-se aqui no blog que a presença do Papa Francisco na ocasião representava uma reafirmação do papel da Igreja Católica no continente. Carismático, humilde e muitas vezes negador das formalidades de um chefe de Estado, posto que Francisco é líder da Santa Sé, o Papa provou que seu papel vai muito além da religião e inúmeras de suas atitudes e presenças, a exemplo da sua “rixa” com os Kirchner, também têm consequências políticas. Além disso, atualmente, com a Copa do Mundo, a mídia divulgou que o jogo entre Alemanha e Argentina traria um “evento inédito” ao Vaticano, opondo seu atual e ex líder, Bento XVI. Aí todo mundo já sabe: misturou religião, política e futebol…

Em outro texto intitulado “Fora de Ordem” questionava-se o seguinte: Como (re)ordenar o mundo? Pergunta ampla, sem resposta fixa e coesa, mas que refletia os acontecimentos de um ano atrás, qual seja a Jornada de Junho, fazendo uma referência direta aos protestos vividos aqui no Brasil em meados de 2013. Se tudo começou pelos 20 centavos, ao longo das manifestações ouviu-se o grito em defesa de menor desigualdade social, tendo em vista que, conforme fora evidenciado no blog, aproximadamente 80% da população mundial vivia (provavelmente ainda vive) com menos de um salário mínimo brasileiro por mês. Saindo do nosso país e voltando à pergunta de como (re)ordenar o mundo, hoje o debate está direcionado ao BRICS que ontem mesmo criou seu banco próprio e representa, em divulgação de Celso Amorim, a inauguração de uma nova ordem mundial.

Por fim, falava-se de Snowden e da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) nos textos “A visita indesejada” e “Uma boa leitura, NSA!”, respectivamente. O primeiro foi acusado e penalizado por ter vazado informações secretas do governo estadunidense, enquanto a segunda ganhou as manchetes por ter espionado conversas online e ligações de milhares de civis de seu país. Agora, no dia 31 de julho, encerra-se o período do asilo temporário de Snowden na Rússia. Para onde ele vai? Ninguém sabe e uma viagem para algum país sul-americano é longa devido às suas condições. Estão pedindo até para ele vir ao Brasil, mas vai saber… Do outro lado, as denúncias de espionagem da NSA continuam nos dias de hoje ratificando a velha política do Tio Sam!

E foi-se mais um “Há um ano…” aqui na Página Internacional…


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Divulgação – XII Semana de RI (UNESP)

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XII Semana de RI Divulgação   XII Semana de RI (UNESP)

A Página Internacional tem a satisfação de convidar seus leitores para a XII Semana de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (UNESP) a ser realizada entre os dias 11 e 15 de agosto na cidade de Franca, interior de São Paulo.

Neste ano, o tema geral do evento é “Visões do Sul: Crise e Transformações do Sistema Internacional”. Haverá palestras, mini-cursos, mesas-redondas, atividades culturais, mostra de iniciação científica e o Fórum dos cursos de Relações Internacionais dos campi de Franca e Marília da UNESP.

Logo abaixo encontra-se a programação do evento, destacando-se o alto nível dos debates e dos professores presentes. Maiores informações podem ser encontradas no site do evento (http://semanaderiunesp.wix.com/franca) e em sua página no Facebook (https://www.facebook.com/unespsemanaderi?fref=ts).

Participe!

PROGRAMAÇÃO – XII Semana de Relações Internacionais

“Visões do Sul: Crise e Transformações do Sistema internacional 

Programação de 11 a 15 de agosto de 2014 – Franca (SP)

Dia 11 (segunda-feira)

  • 19h00 – Conferência de Abertura: Prof. Dr. Marcos Costa Lima (UFPE)
  • 20h30 – Atividade cultural


Dia 12  (terça-feira)

  • 9h00 às 12h00 – Minicursos e Mostra de Iniciação Científica
  •  14h00 às 15h50 – Mesa-redonda “Dilemas para a Segurança Internacional e a Defesa no Hemisfério Sul: uma agenda imposta?”

Coord.: Prof. Dr. Samuel Alves Soares (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. Gabriel Orozco Restrepo (Universidad del Norte/Colômbia); Prof. Ms. Luis Eduardo Tibiletti (SER en 2000/ Argentina); Prof. Dr. Sérgio Cruz Aguilar (UNESP-Marília) e Prof. Dr. Thiago Rodrigues (UFF)

  •  16h00 às 17h50 – Mesa-redonda “Potencialidades e desafios: uma outra integração é possível(?)”

Coord.: Profa. Dra. Regina Laisner (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. José Renato Vieira Martins (UNILA); Prof. Dr. Marcelo Santos (UNESP-Araraquara); Prof. Dr. Pedro Silva Barros (IPEA) e Prof. Dr. Paula Pavarina (UNESP-Franca)

  •  18h00 às 18h50 – Atividade cultural
  •  19h00 às 20h50 – Mesa-redonda “Estados Unidos e América do Sul”

Coord.: Prof. Dr. Alexandre Fuccille (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. Luis Fernando Ayerbe (UNESP-Araraquara); Profa. Dra. Cristina Soreanu Pecequilo (UNIFESP); Profa. Msa Anabella Busso (Universidade Nacional de Rosário/Argentina) e Prof. Dr. Tullo Vigevani (UNESP-Marília)

Dia 13 (quarta-feira)

  •  9h00 às 12h00 – Minicursos e Mostra de Iniciação Científica
  •  14h00 às 15h50 – Mesa-redonda “A inserção internacional do Brasil: análise da última década”

Coord.: Prof. Dr. Marcelo Passini Mariano (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. Haroldo Ramanzini Júnior (UFU); Prof. Dr. Marcelo Fernandes de Oliveira (UNESP-Marília); Prof. Dr. Roberto Goulart Menezes (UnB) e Profa. Dra Karina Lilia Pasquariello Mariano (UNESP-Araraquara)

  •  16h00 às 17h50 – Mesa-redonda “Teoria das Relações Internacionais como unidade e diversidade: realismo, idealismo, teoria crítica, guerra e paz”

 Coord.: Prof. Dr. Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos (UNESP-Marília)

Membros: Prof. Dr. Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos (UNESP-Marília); Prof. Dr. Leandro de Oliveira Galastri (UNESP-Marília); Prof. Dr. Rafael Salatini de Almeida (UNESP-Marília) e Profa. Dra. Meire Mathias (UEM)

  •  18h00 às 18h50 – Atividade cultural

  •  19h00 às 20h50 – Mesa-redonda “Um novo Sul? África, China e Índia em um mundo em transição”

Coord.: Prof. Dr. Alexandre Fuccille (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. José Flávio Sombra Saraiva (UnB); Prof. Dr. Henrique Altemani (UEPB) e Prof. Dr. Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira (USP)

Dia 14 (quinta-feira)

  •  9h00 às 12h00 – Minicursos e Mostra de Iniciação Científica
  •  14h00 às 15h50 – Mesa-redonda “Potências emergentes em Organizações Internacionais”

Coord.: Prof. Dr. Gabriel Cepaluni (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. Haroldo Ramanzini Júnior (UFU); Prof. Dr. Flávio Leão Pinheiro (FAAP) e Prof. Dr. Dawisson Belém Lopes (UFMG)

  •  16h00 às 17h50 – Mesa-redonda “Instituições internacionais, crise europeia e democracia”

Coord.: Prof. Dr. Augusto Zanetti (UNESP-Franca)

Membros: Prof. Dr. Alberto Handfas (UNIFESP), Prof. Dr. Gustavo José de Toledo Pedroso (UNESP-Franca), Prof. Dr. Francisco Luiz Corsi (UNESP-Marília) e Prof. Dr. Albério Neves Filho (UNESP-Franca)

  •  18h00 às 18h50 – Atividade cultural
  • 19j00 – Conferência de Encerramento: Prof. Dr. Marco Aurélio Garcia (UNICAMP e Presidência da República)

Dia 15 (sexta-feira)

  •  9h30 às 12h00 – Fórum dos cursos de Relações Internacionais da UNESP (Franca e Marília)

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Imagem da Semana

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post Imagem da semana

Anualmente, a Bósnia vive um triste, mas necessário, ritual no mês de julho. Durante o massacre de Srebrenica, ocorrido nesse mês em 1995, as milhares de vítimas muçulmanas (mais de 8 mil) foram enterradas em dezenas de valas comuns nas proximidades da cidade. Desde então, a cada ano, nos esforços de memória do conflito, as vítimas cujos corpos são encontrados e reconhecidos, recebem uma homenagem no memorial de Potocari e são enterradas dignamente.

Esse ano, 19 anos depois do massacre, foram ainda identificadas 175 vítimas do massacre e a cerimônia ocorreu no último dia 11 (foto), revelando os esforços de reconstrução de uma sociedade ferida, que relembra o massacre em respeito às suas vítimas, mas certamente espera nunca mais reviver uma tal experiência…


Como entender?

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both sides of gaza conflict by latuff2 300x233 Como entender?

É praticamente uma obrigação falar sobre a crise entre Israel e palestinos, mais uma entre muitas, que estourou na última semana. Segundo relatos, em quatro dias mais de 100 palestinos morreram em ataques militares à Faixa de Gaza. Porém, se é fácil encontrar culpados, creio ser bem difícil pensar na questão como um todo de modo racional.

“Como assim Álvaro? Israel está massacrando inocentes”. Sim, isso é inegável. A roupagem de “alvos colaterais” que é dada aos civis nesse caso, em que segundo os agressores vale tudo para acabar com a ameaça existencial (o Hamas), vai encontrar semelhanças históricas com eventos que vão do ataque norte-americano ao Afeganistão à Segunda Guerra Mundial. Mas existe muita paixão nas análises. Podemos chamar Israel de estado terrorista? Por um lado, se pensarmos no dano a alvos civis e no efeito psicológico, sim. Por outro, as vitimas são (até segunda ordem) “efeito colateral”, e por mais abominável que seja, não é terrorismo em si.Nesse caso, chamar de Estado terrorista é, pelo menos em termos práticos, um exagero contraproducente por que apenas inflama a discussão sem chegar a qualquer tipo de consenso.

E eis que chegamos ao pomo da discórdia – quem é o culpado? Afinal, para resolver um problema, a lógica ensina que devemos saber sua raiz, certo? Vejam só como se desenrolou a crise atual: jovens israelenses são sequestrados e encontrados mortos, possivelmente pela ação de militantes palestinos. Em retaliação óbvia um palestino é queimado vivo – e o próprio governo de Israel abomina o crime e prende os culpados. Mas isso não basta – protestos em Gaza levam Israel a agir “preventivamente” e começa o bombardeio, prontamente seguido pela usual retaliação em forma de foguetes vindos de todos os lados da fronteira, de Gaza ao Líbano.

A ação de indivíduos leva a consequências que batem na porta do Estado, que reage da maneira totalmente assimétrica em retaliação. Repare que, a rigor, os culpados não são os governos israelense ou o Hamas em si: uma fatalidade obscura acaba tendo consequências que desencadeiam uma reação sistêmica pior ainda que não tem outra explicação que não seja a completa falta de compreensão e perspectiva de negociação pelas partes, um barril de pólvora que tem o pavio aceso, explode e é preenchido de novo regularmente.

Não se trata de defender os ataques de Israel – isso é inaceitável. Mas é necessário compreender sua situação. Fechar os olhos ao “outro lado” é a principal causa desse conflito horrível. O Hamas simplesmente não ajuda em sua imagem quando pesa um histórico de atentados a populações civis (que, por mais nobre que seja a causa, nunca serão uma forma humanamente aceitável ou civilizada de reivindicação) e a aquisição de modelos mais modernos de mísseis contrabandeados, que supostamente poderiam alcançar centenas de quilômetros de distância. É comum ridicularizar o alcance destrutivo dessas ogivas artesanais, mas para um Estado que leve a segurança de sua população a sério, já é legitimação suficiente.

Israel não é santo, o Hamas tampouco. A solução pregada pela ala mais radical dos dois lados é inviável – Israel não vai deixar de existir, e os palestinos não podem ficar sem seu Estado.  Leituras desse conflito que enxerguem apenas o lado israelense, como uma vítima de terrorismo, e o dos palestinos como injustiçados, unilateralmente, vão ser de uma polarização nociva. Cada lado tem sua parcela de culpa, e não necessariamente iguais – Israel tende a pegar pesado com os assentamentos, possivelmente a questão central disso tudo e por isso na “liderança” das causas, e o efeito de ofensivas como a dessa semana em anos anteriores foi praticamente nulo em termos militares, mas não legitima ações violentas. Ignorar a necessidade de compreender o lado oposto, fruto da radicalização irracional do conflito, é possivelmente a principal causa de sua longevidade.


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Post do Leitor

Post do leitor – Lívia Peres Milani

[Com as recentes notícias sobre o possível pagamento dos chamados “fundos abutres” por parte do governo argentino, a leitora Lívia Peres Milani, graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/Franca), mestranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP/ PUC-SP) e membro do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP) analisa a importância das crises econômicas para o futuro do país, bem como para seus vizinhos, incluindo o Brasil, e postula que a América Latina deve adotar posturas coesas para combater prejuízos financeiros na região. Caso queira publicar seu texto no blog, mande um e-mail para [email protected]. Boa leitura!]

A dívida externa Argentina e a América Latina

fundos abutres argentina 300x199 Post do leitor   Lívia Peres Milani

Fonte: Epoch Times

Recentemente, os problemas decorrentes da dívida externa atingem de forma impiedosa a Argentina, que vinha mantendo o compromisso de pagar a seus credores, mas foi surpreendida por uma decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos (EUA). A Justiça dos EUA determinou que o país pagasse integralmente os chamados “fundos abutres”, os quais compraram títulos da dívida argentina a preços irrisórios, provenientes daqueles credores que recusaram a proposta de renegociação. A dívida argentina fora reestruturada em 2005, quando se chegou a um acordo com 92,5 por cento dos credores.

A decisão da Justiça dos EUA torna-se ainda mais problemática porque significou que a Argentina tem que resolver essa situação para continuar pagando os credores da parte reestruturada da dívida. Apesar de ter depositado o dinheiro destinado ao pagamento de parcela do débito renegociado, a Justiça dos EUA considerou a transação ilegal e o país entrou em default técnico. No entanto, a Argentina resiste a pagar integralmente os “fundos abutres”, pois a existência de uma cláusula que determina o tratamento igualitário a todos os credores abriria a possibilidade de que toda a dívida fosse objeto de nova negociação e poderia significar que a mesma se tornasse muito mais alta.

Os acontecimentos atuais representam mais um episódio da dramática crise de 2001, que atingiu o país de forma generalizada, causando instabilidade política e econômica. Esse episódio foi um trauma para a Argentina e uma ocasião para que a América Latina repensasse sua postura e entendesse os problemas de aderir ao Consenso de Washington de maneira acrítica. Antes da crise, a Argentina era um dos países mais abertos da região e era considerada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como um modelo aos países em desenvolvimento. No entanto, com a explosão da moratória, o FMI negou responsabilidade e qualquer ajuda. Paralela e atualmente, apesar de entender as contradições da decisão judicial, o governo dos EUA não busca reverter o processo.

 Apesar de o problema atual ser referente à Argentina, a questão da dívida externa não é isolada a esse país. Ao contrário, esse é um problema estrutural da América Latina, que condiciona e limita as possibilidades de desenvolvimento. Essa situação fica clara ao se pensar nos anos de 1980, conhecidos como década perdida, quando se assistiu a situações de moratória no México e no Brasil, as quais causaram problemas econômicos graves a esses países.

Além disso, um default oficial na Argentina não seria problemático apenas para esse país, mas teria graves consequências ao Brasil. A partir do momento em que possa significar uma crise no vizinho, os efeitos serão sentidos aqui, pois a Argentina é um dos principais destinos dos produtos manufaturados brasileiros. Ademais, assim como argumentado pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, o episódio é um sinal de alerta, porque possui impactos em outros processos de renegociação de dívida externa.

Assim, o contexto atual mostra a necessidade de que a América Latina, e o Brasil em particular, apoie a Argentina e pressione para que sejam garantidas condições justas de renegociação da dívida, sem prejuízos para a economia do vizinho brasileiro. As resoluções em apoio à posição argentina, aprovadas na Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual EUA e Canadá se abstiveram, e em outros órgãos, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), são importantes passos nesse sentido.


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Alguém falou em participação social?

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participacao social 300x148 Alguém falou em participação social?
Alguém falou em participação social? O assunto em pauta é fortalecer as instâncias consultivas de participação da sociedade civil na gestão de políticas públicas? A questão que se coloca é impulsionar a aproximação do cidadão comum das ferramentas políticas existentes em seu próprio benefício?

As respostas às três perguntas são: sim, sim e sim! O tema é essencial, mais atual que nunca e está (como deveria) em pauta, mas gerando divergências políticas que demonstram a sensibilidade suscitada por esse tipo de resposta positiva.

O Decreto 8.243/2014 foi publicado no último dia 23 de maio, após assinatura pela presidenta Dilma durante o grande evento “Arena da Participação Social”, em Brasília (confira o texto completo aqui). O Decreto instituiu o Plano Nacional da Participação Social (PNPS) e o Compromisso Nacional pela Participação Social (CNPS), celebrando o diálogo e buscando consolidar a participação social destacadamente um método de governo. (Leia mais aqui e aqui.)

Mas o assunto não teve repercussão unânime, pelo contrário. Enquanto o Decreto foi celebrado pelo governo, por movimentos sociais e pela sociedade civil em geral enquanto meio para fortalecimento da democracia, a oposição vem criticando duramente a forma como o texto foi aprovado e alguns mais extremistas insinuam até mesmo uma “invasão”/ “competição” do Poder Legislativo por parte dos/com os movimentos sociais.

Se o ideal seria que texto semelhante sobre a matéria fosse aprovado por projeto de lei tramitado via Congresso Nacional, todos sabemos que o plano ideal está, infelizmente, bem distante da realidade…

O texto foi aprovado por decreto presidencial (via Poder Executivo, pois) já que não cria novas instâncias participativas, mas apenas reforça sua importância e as articula em formato de sistema, definindo diretrizes mínimas a serem observadas nos espaços em questão – todos de caráter consultivo e não deliberativo, e que não ferem, portanto, a autonomia legislativa dos representantes eleitos para cumprirem tal função.

No furor desse debate, argumentos alegando o “sucateamento total e absoluto do Congresso Nacional” motivaram até projetos de decreto legislativo na Câmara (PDC 1.491/2014) e no Senado (PDL 117/2014) para anular o decreto aprovado. Houve quem defendesse que “a democracia se dá por meio dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos”. Mas quem é que está dizendo o contrário?

Falar em participação social vai gerar polêmica sempre e em qualquer situação, e a aprovação de um texto como tal às vésperas de um processo eleitoral tampouco passa despercebida. Contudo, desmerecer a iniciativa ou seus objetivos não parece condizente com a própria concepção de democracia participativa. Alguém falou em participação social? Que bom! E que continuem não apenas falando, mas principalmente aplicando-a no dia-a-dia político…

[Sobre o tema, vale ainda destaque sobre o Fórum Interconselhos, iniciativa de monitoramento participativo acerca da implementação de políticas públicas no Brasil, que foi premiada internacionalmente pelas Nações Unidas há poucos dias (leia mais aqui). Sendo o Decreto 8.243/2014 um reforço às estratégias participativas já empregadas pelo Brasil, alguém realmente duvida que, apesar de a jornada ser longa, estamos no caminho certo?]


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